Flávio Bolsonaro desembarca em João Pessoa para selar nova fase do PL e pacificar direita na PB
22/03/2026 05:34
Redação ON Reprodução

A presença do senador Flávio Bolsonaro em João Pessoa, neste domingo, tem um simbolismo que vai além de um simples ato partidário. O movimento consolida a entrada do senador Efraim Filho no PL e, sobretudo, sinaliza a construção de um ambiente de unidade na direita paraibana — algo que, em outros estados, ainda está longe de ser realidade.

O evento, marcado para a Domus Hall, funciona como um gesto político calculado: ao mesmo tempo em que fortalece o palanque de Efraim como pré-candidato ao Governo do Estado, também projeta uma imagem de alinhamento entre as principais lideranças do campo bolsonarista na Paraíba.

Esse cenário de aparente harmonia contrasta com o que ocorre em outras regiões do país, onde divergências internas têm gerado ruídos dentro do próprio grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

No Ceará, por exemplo, a tentativa de aproximação com Ciro Gomes gerou uma crise pública. O movimento, articulado por aliados de Bolsonaro, foi rechaçado por Michelle Bolsonaro, que classificou a articulação como precipitada. A reação provocou atritos com os filhos do ex-presidente, expondo uma disputa interna sobre os rumos políticos do grupo.

No Distrito Federal, o embate é mais estratégico. Michelle apoia abertamente a vice-governadora Celina Leão, enquanto Flávio Bolsonaro adota uma postura mais cautelosa, condicionando o apoio a outros interesses políticos. O resultado é um desconforto silencioso, mas evidente, entre os dois núcleos.

Já em São Paulo, a tensão gira em torno do futuro político do governador Tarcísio de Freitas. Enquanto Michelle e aliados veem nele uma liderança viável para uma chapa nacional, os filhos de Bolsonaro resistem à ideia, temendo a perda de protagonismo da família no comando da direita.

Harmonia na PB

Diante desse cenário nacional fragmentado, a Paraíba caminha na direção oposta. E isso não começou agora.

Em julho do ano passado, durante a inauguração da nova sede do PL no estado, Michelle Bolsonaro já havia antecipado o movimento que se concretiza neste momento. Ao lado de Efraim Filho, ela declarou apoio à sua pré-candidatura ao governo, quando ainda nem se falava oficialmente em sua filiação ao partido.

Aquele gesto foi interpretado como um marco: Efraim não apenas se aproximava do campo bolsonarista, como também recebia a chancela de uma das principais lideranças do grupo.

Agora, com a chegada de Flávio Bolsonaro, o processo ganha um novo capítulo — mais institucional, mais estruturado e, principalmente, mais simbólico.

Se em outros estados a direita ainda convive com disputas internas e divergências estratégicas, na Paraíba o que se desenha é um esforço claro de convergência. A presença de Flávio funciona, nesse contexto, como uma espécie de selo político: o de que, pelo menos aqui, as diferenças ficaram em segundo plano diante de um objetivo maior.

Resta saber se essa harmonia se sustenta ao longo da disputa eleitoral. Por ora, o recado é claro: na Paraíba, a direita tenta falar uma só língua

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