A pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) tem encontrado um cenário desafiador no Nordeste, região onde o bolsonarismo enfrenta dificuldades para construir palanques competitivos nas disputas estaduais. Mesmo diante desse quadro de pessimismo, a Paraíba aparece entre os estados que ainda alimentam alguma expectativa positiva para o grupo político do senador. A avaliação é do colunista Carlos Madeiro, do UOL.
Segundo levantamento citado pelo jornalista, a Paraíba é um dos únicos estados nordestinos em que um candidato alinhado ao bolsonarismo aparece com desempenho de dois dígitos nas pesquisas para o Governo do Estado. Trata-se do senador Efraim Filho (PL), que ocupa a terceira colocação nos levantamentos mais recentes, atrás do governador Lucas Ribeiro (PP) e do ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB).
O outro estado que concentra as atenções do grupo de Flávio Bolsonaro é o Rio Grande do Norte. Por lá, o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (PL), aparece entre a segunda e a terceira colocação nas pesquisas, com percentual superior a 20%, sendo o candidato identificado com o bolsonarismo mais competitivo em toda a região Nordeste.
O contraste com os demais estados é significativo. No Maranhão, por exemplo, a desistência de Lahesio Bonfim (Novo) da disputa pelo Governo para concorrer ao Senado deixou o bolsonarismo sem um nome competitivo na corrida estadual. Em outros estados, candidatos alinhados à direita aparecem distantes da liderança ou sequer alcançam dois dígitos nas intenções de voto.
A situação também é agravada pelo fato de que parte dos potenciais aliados de Flávio Bolsonaro prefere manter neutralidade na disputa presidencial. Em estados estratégicos como Ceará, Bahia, Sergipe e Piauí, lideranças locais evitam assumir compromisso antecipado com a candidatura do senador, reduzindo ainda mais o número de palanques efetivamente disponíveis na região.
Nesse contexto, a Paraíba ganha importância adicional para a estratégia bolsonarista no Nordeste. Embora Efraim Filho ainda apareça atrás dos dois principais concorrentes, o desempenho do senador paraibano coloca o estado em uma posição rara dentro da região: a de um dos poucos locais onde o grupo de Flávio Bolsonaro consegue enxergar algum potencial de crescimento eleitoral e de construção de um palanque minimamente competitivo para a campanha presidencial de 2026.