João Pessoa, sexta-feira, 9 de outubro de 2026
Fillipe Félix ficou rico com entregadores de aplicativos, mas está devendo a “entrega” no Belo
09/10/2026 06:15
Redação ON Reprodução

Fillipe Félix, dono da SAF do Belo, construiu sua trajetória empresarial alugando motos para quem ganha a vida fazendo entregas. No Botafogo-PB, porém, o empresário ficou devendo uma entrega essencial: manter em dia os compromissos com o elenco que deveria transformar suas promessas em resultados dentro de campo.

Antes do futebol e das motocicletas, vieram as castanhas. Segundo a apresentação institucional do Grupo LOC, o empresário mineiro começou vendendo chup-chup na infância, em Caeté, e criou, em 2014, a Primer S, de castanhas e produtos naturais. Em entrevista à revista Exame, publicada em janeiro de 2025, contou que as dificuldades durante a pandemia e a necessidade de contratar motoboys despertaram seu interesse pelo aluguel de motocicletas.

Segundo Félix, a primeira moto custou R$ 15 mil. A expansão veio com a LocaGOra, que, na ocasião da reportagem, informava 460 franquias, presença em 88 cidades e 12 mil motos. O modelo previa R$ 60 mil pela licença e cobrança de 8% do faturamento bruto mensal do franqueado. São números divulgados pela empresa, que ajudam a dimensionar sua apresentação ao mercado, mas não demonstram quanto dinheiro seu controlador tem disponível para investir no futebol.

O Grupo LOC também divulga negócios com celulares, motos de grande porte e carros de luxo. Em uma página da LocCompany, interessados são convidados a se tornarem sócios de Félix, com possibilidades anunciadas de faturamento de até R$ 300 mil mensais. Trata-se de projeção publicitária, não de retorno garantido. A imagem do empresário bem-sucedido é parte importante dessa estratégia comercial.

Falhou na Hora H

No Belo, a realidade passou a cobrar mais do que uma boa apresentação. Félix reconheceu ao ge o atraso nos direitos de imagem de agosto e afirmou que aguardava R$ 2 milhões de novos investidores para quitar pendências. Disse também que pagaria os valores caso a negociação demorasse. Na quarta-feira (7), os jogadores deixaram de treinar em protesto pelos atrasos.

O empresário anunciou conversas com quatro grupos interessados na SAF, manifestou intenção de permanecer como investidor e patrocinador e prometeu uma auditoria. Não esclareceu, porém, qual parcela de suas ações pretende negociar. As dificuldades do Botafogo-PB não comprovam que seus outros negócios estejam em crise, mas expõem a distância entre a imagem de prosperidade e o cumprimento das obrigações no clube.

O contraste mais doloroso ficou dentro de campo. O Botafogo-PB fez a melhor campanha da primeira fase, mas entrou no quadrangular decisivo com pagamentos atrasados e perdeu para todos os adversários. O time que alimentou a esperança do acesso terminou marcado pelo fracasso justamente na hora de decidir.

Não dá para colocar essa conta apenas nas costas do elenco. Os jogadores tinham a obrigação de entregar futebol; Fillipe Félix, a de entregar as condições prometidas a quem entrava em campo. O atraso não explica sozinho as derrotas, mas impede que a cobrança fique restrita ao vestiário. No momento mais importante da temporada, o empresário dos negócios com entregas também deixou o Belo esperando.

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