Federalização do conflito: quem manda na Federação União Progressista na Paraíba?
26/01/2026 05:20
Redação ON Reprodução

A Federação União Progressista já tem, no plano nacional, uma estrutura definida e um desenho político claro para as eleições de 2026. Desde 1º de janeiro, a presidência nacional está com Antônio de Rueda, do União Brasil, tendo como vice-presidente Ciro Nogueira, dos Progressistas. Em vários estados, esse comando já foi automaticamente definido, seguindo a regra estatutária que privilegia o partido com governador ou maior bancada. Em outros, porém, o cenário é mais complexo. E a Paraíba é o exemplo mais evidente dessa exceção.

Enquanto em regiões como Centro-Oeste, Nordeste e Norte os comandos regionais já foram distribuídos a lideranças consolidadas da federação, a Paraíba não entrou na lista de consenso automático. O motivo é simples: há um equilíbrio de forças entre União Brasil e Progressistas no estado, o que inviabilizou uma definição local sem intervenção direta da Executiva Nacional da federação.

Nesse ambiente de indefinição, ganhou força um jogo de narrativas nos bastidores da política paraibana. Os deputados Damião Feliciano e Aguinaldo Ribeiro têm afirmado publicamente que o comando da Federação União Progressista na Paraíba ficará com o grupo dos Progressistas. As declarações, no entanto, não encontram respaldo formal neste momento e são vistas como parte de uma estratégia política para consolidar uma posição antes que a decisão oficial seja tomada em Brasília.

No papel, pelo menos até agora, o comando estadual da federação estaria nas mãos do senador Efraim Filho, do União Brasil. Ele venceu ainda no final de 2025 a disputa administrativa pelo controle do diretório estadual da federação, tornando-se presidente do colegiado local. Esse dado é objetivo, vigente e reconhecido internamente, apesar das versões que circulam nos bastidores.

Guerra de narrativas

As falas de Damião Feliciano e Aguinaldo Ribeiro têm causado incômodo direto a Efraim Filho, que tem rebatido reiteradamente essas afirmações. O senador sustenta que não há decisão fechada sobre o comando político da federação na Paraíba e que qualquer cravação nesse sentido é precipitada. Segundo ele, enquanto não houver deliberação formal da direção nacional, o comando administrativo segue sob sua responsabilidade.

Do outro lado está o grupo dos Ribeiro, ligado aos Progressistas, formado pela senadora Daniella Ribeiro, pelo deputado Aguinaldo Ribeiro e pelo vice-governador Lucas Ribeiro. Esse grupo aposta no peso político da máquina estadual e defende que a federação esteja alinhada ao governo local em 2026, com Lucas Ribeiro encabeçando a chapa majoritária.

Como não houve consenso interno, a Executiva Nacional decidiu avocar para Brasília a principal definição eleitoral da federação no estado: quem será o candidato ao Governo da Paraíba. A decisão ficará a cargo da cúpula nacional, especialmente de Antônio de Rueda e Ciro Nogueira, o que esvazia, por ora, qualquer anúncio definitivo feito no âmbito local.

Na prática, convivem hoje duas realidades distintas. Administrativamente, o comando da Federação União Progressista na Paraíba está com o União Brasil, representado por Efraim Filho. Politicamente, a decisão mais sensível de 2026 segue indefinida e fora do alcance das lideranças estaduais. Qualquer afirmação categórica em sentido contrário, neste momento, serve mais ao jogo político do que à realidade formal da federação.

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