A federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, anunciou nesta terça-feira (6) apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. Na Paraíba, porém, o governador reeleito Lucas Ribeiro (PP) seguirá outro caminho: depois de se reunir com o presidente Lula (PT), ontem, em Brasília, começou a articular uma mobilização de aliados e movimentos sociais pela reeleição do petista.
O anúncio dá um novo capítulo ao assunto destacado nesta terça-feira pelo O Norte Online. A reunião de Lucas com Lula e a expectativa pela decisão da federação colocavam uma pergunta no centro do debate: como ficariam o governador e seu tio, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, uma das principais lideranças do PP e do grupo governista paraibano?
No caso de Lucas, a resposta vem por meio de ações concretas. O governador entrou em contato com o senador eleito João Azevêdo (PSB) e com a presidente estadual do PT, Cida Ramos, para organizar a campanha no estado. Ao assumir essa articulação, deixa claro que seu apoio presidencial não acompanhará a orientação anunciada pela federação.
“A nossa gestão tem uma relação muito forte com o presidente Lula e não tenho dúvida de que essa parceria tem sido importante para a Paraíba”, afirmou Lucas. “Por isso, o meu voto é em Lula e, agora, vamos começar a mobilizar nossas lideranças, os movimentos sociais e todos aqueles que acreditam na continuidade desse trabalho.”
A primeira mobilização está sendo organizada para João Pessoa, com movimentos sociais e representantes dos segmentos que integram a base do governador. Na semana seguinte, a articulação deverá chegar a Campina Grande, em um encontro voltado a prefeitos e lideranças políticas. O objetivo é envolver a estrutura de apoio à candidatura estadual na campanha de Lula.
A decisão nacional da União Progressista foi tomada por unanimidade em reunião das executivas das duas legendas, com a participação dos presidentes Ciro Nogueira, do PP, e Antonio Rueda, do União Brasil, além da senadora Tereza Cristina (PP-MS). O alinhamento com Flávio estabelece, portanto, uma divergência entre a direção da federação e a escolha pública do governador paraibano.
Quanto a Aguinaldo, o material divulgado não informa uma manifestação individual sobre a decisão. Sua influência no PP e sua ligação com o governo estadual o colocam no centro dessa articulação, mas a posição assumida por Lucas não pode ser automaticamente atribuída ao deputado.
Na Paraíba, Lula recebeu 1.541.127 votos no primeiro turno e venceu nos 223 municípios. É sobre essa base que Lucas pretende ampliar a mobilização. A federação escolheu Flávio; o governador, por sua vez, reafirma o voto em Lula e assume a tarefa de buscar mais apoio para o presidente.
