A declaração de Amoroso na ESPN foi um dos comentários mais infelizes desta Copa do Mundo. Ao afirmar que a CBF deveria ter escolhido um jogador “com mais identidade com a camisa da Seleção Brasileira” para conceder entrevista coletiva, ele acabou diminuindo a importância de Douglas Santos, titular absoluto da lateral esquerda do Brasil.
Que identidade é essa que falta? Douglas Santos é o dono da posição, conquistou a confiança de Carlo Ancelotti, desbancou concorrentes e vem fazendo uma Copa de alto nível. Sua sintonia com Vinícius Júnior é um dos segredos do sucesso ofensivo da Seleção pelo lado esquerdo. Enquanto Vinícius desequilibra no ataque, Douglas garante a cobertura, o equilíbrio tático e a liberdade para o companheiro brilhar.
O fato de jogar no futebol russo ou de ser um atleta paraibano não diminui em absolutamente nada sua condição de representante da Seleção Brasileira. Vestir a camisa da Seleção não é privilégio de quem atua na Europa ou de quem nasceu no eixo Rio-São Paulo. É mérito de quem conquista seu espaço em campo.
Amoroso teve uma carreira respeitável. Foi artilheiro, brilhou na Europa e deixou sua marca no futebol brasileiro. Mas nunca disputou uma Copa do Mundo. Ainda assim, ninguém jamais disse que lhe faltava identidade com a camisa da Seleção.

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Por isso, a crítica soa elitista e injusta. Douglas Santos não precisa provar sua identidade com a Seleção a ninguém. Ele a demonstra em cada partida, com desempenho, disciplina e entrega. Se a CBF o escolheu para falar depois da vitória sobre a Escócia, foi porque ele representa, sim, o momento vivido pela equipe dentro de campo.
Quem acompanha a Seleção sem preconceitos sabe reconhecer isso.

