O deputado federal Ottoni de Paula (MDB-RJ), pastor evangélico e ex-aliado do bolsonarismo, fez duras declarações sobre a postura de Silas Malafaia após ser indiciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, o líder religioso estaria deliberadamente tentando forçar a própria prisão, numa estratégia que mistura vitimização e cálculo político.
“É hora de parar de tentar dizer que nós estamos tendo perseguição religiosa porque o pastor Silas, a quem eu respeito, está no inquérito da Polícia Federal. Ele está no inquérito, está pagando preço por esse momento que nós estamos enfrentando no Brasil e se você quer saber, eu não vou atrapalhar o sonho do pastor Silas, não. O sonho dele é ser preso”, afirmou.
Ottoni resgatou passagens bíblicas para justificar sua posição, lembrando que até Jesus recuou diante de situações de risco para não antecipar o que não era o momento de Deus. “Jesus saiu de um ambiente porque sabia que estavam indo lá para prendê-lo. Eu te pergunto, ele foi covarde? Não. Ele só entendeu que o diabo queria antecipar o que Deus já tinha data certa para fazer”, declarou.
O parlamentar fez questão de sublinhar que sua crítica não anula o respeito pela trajetória de Malafaia, a quem reconhece como formador de sua geração de pastores. “Eu faço parte daquela geração que lhe viu ganhando almas e falando as verdades do evangelho”, disse.
No entanto, a advertência final foi direta: se preso, Malafaia não será reconhecido como mártir religioso, mas como militante político em defesa de Jair Bolsonaro. “Não há recompensa nenhuma em ser preso político. Haveria se fosse preso por pregar a palavra de Deus. Mas ele vai ser preso por amor a Bolsonaro. E isso não glorifica Jesus.”

