O governo do presidente Donald Trump voltou a discutir internamente a possibilidade de aplicar novas sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base na chamada Lei Magnitsky. A informação foi revelada pela jornalista Andreza Matais, em reportagem publicada no portal Metrópoles.
A medida já havia sido adotada anteriormente. Em julho de 2025, Moraes foi alvo de sanções impostas pelo governo americano, que incluíram restrições para realizar transações ou utilizar serviços de empresas sediadas nos Estados Unidos, além do eventual congelamento de ativos e propriedades vinculadas ao ministro em território norte-americano.
Na ocasião, as restrições também alcançaram a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, e uma empresa ligada a ela, o Lex Instituto de Estudos Jurídicos.
De acordo com relatos de fontes com acesso às discussões dentro da administração americana, o tema voltou a circular nos bastidores de Washington nas últimas semanas, indicando que parte do governo Trump avalia retomar ou ampliar as medidas contra o ministro brasileiro.
Dentro do Departamento de Estado, quem acompanha diretamente o caso é o assessor sênior Darren Beattie. Nomeado para a função no fim de fevereiro, ele já vinha exercendo influência sobre a política externa do governo Trump para o Brasil desde o início do atual mandato do republicano, em janeiro de 2025.
Na última terça-feira, Moraes autorizou que Beattie visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso em uma ala do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal localizada dentro do complexo penitenciário da Papuda, em Brasília.
Durante a viagem ao Brasil, o assessor americano também pretende se reunir com outras lideranças da oposição ao governo Lula.
Beattie já havia feito críticas públicas ao ministro do STF. Em agosto do ano passado, escreveu em rede social que Moraes seria “o principal arquiteto de um complexo de censura e perseguição” contra Bolsonaro e seus aliados políticos.
Conflito com big techs virou foco de tensão
Apesar da situação judicial de Bolsonaro gerar repercussão política internacional, o principal ponto de atrito entre Moraes e o governo Trump hoje está ligado ao embate do ministro com grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos.
O episódio mais emblemático ocorreu em agosto do ano passado, quando Moraes determinou a suspensão do funcionamento da plataforma X no Brasil. A rede social, controlada pelo empresário Elon Musk, permaneceu bloqueada por 39 dias.
A plataforma só voltou a operar no país depois de cumprir determinações da Justiça brasileira, que incluíram o pagamento de cerca de R$ 26,8 milhões em multas, o bloqueio de perfis investigados e a indicação de representantes legais da empresa no Brasil.
Nos bastidores do governo americano, autoridades avaliam com preocupação o discurso defendido por Moraes sobre a regulação das redes sociais e o combate ao que ele chama de “populismo extremista” no ambiente digital.
