quinta-feira, 26 de março de 2026
EUA exigem até 15 mil dólares de torcedores para conceder visto na Copa
26/03/2026 11:01
Redação ON Reprodução

Uma política migratória dos Estados Unidos, revelada pelo The Athletic, braço esportivo do The New York Times, acendeu um alerta mundial a menos de três meses da Copa do Mundo: torcedores de alguns países podem ser obrigados a pagar até 15 mil dólares como condição para entrar no país.

Por enquanto, o Brasil está fora dessa lista, o que evita impacto direto sobre os torcedores brasileiros. Ainda assim, o problema é global e pode afetar o ambiente, a logística e até o espírito do Mundial de 2026.

A medida faz parte de um programa chamado “visa bond”, que funciona como uma espécie de caução. O visitante paga um valor elevado para garantir que deixará o país dentro do prazo do visto. Caso cumpra as regras, recebe o dinheiro de volta. Caso contrário, perde o valor.

Na prática, é um filtro financeiro.

E ele já atinge países classificados para a Copa. Entre eles, Argélia, Senegal, Tunísia, Cabo Verde e Costa do Marfim. Ou seja, não se trata de um cenário hipotético, mas de uma situação concreta que pode impactar diretamente seleções e torcedores.

O ponto mais delicado é que não há, até agora, nenhuma garantia oficial de que jogadores, comissões técnicas ou dirigentes estarão isentos dessa exigência.

Nos bastidores, a FIFA tenta negociar uma saída. A entidade trabalha para que delegações tenham tratamento diferenciado, possivelmente por meio de cartas-convite que funcionariam como exceção. Mas as conversas seguem abertas, e o governo americano não deu sinal claro de flexibilização.

Isso abre um cenário inédito: atletas podendo ser submetidos às mesmas exigências financeiras impostas a turistas comuns.

Para os torcedores, o impacto é ainda mais pesado.

Os valores variam entre 5 mil e 15 mil dólares por pessoa — algo que pode chegar a cerca de 75 mil reais na cotação atual. E há um detalhe importante: a cobrança é individual. Uma família inteira teria que multiplicar esse custo. Crianças, inclusive, entram na regra, ainda que com valores menores.

Somando isso a passagens, hospedagem e ingressos, o resultado é um bloqueio financeiro real.

Na prática, cria-se uma barreira que seleciona quem pode ou não estar presente na Copa.

E isso entra em choque com o discurso do presidente da FIFA, Gianni Infantino, que vem classificando o torneio de 2026 como o mais inclusivo da história.

A realidade, porém, aponta para um risco oposto.

Há ainda um agravante logístico relevante. A Copa será disputada em três países — Estados Unidos, Canadá e México — e várias seleções terão jogos em mais de um território. Isso exige vistos com múltiplas entradas.

Mas há relatos de que os Estados Unidos vêm concedendo, com mais frequência, vistos de entrada única para cidadãos desses países afetados, o que pode gerar problemas durante a competição.

Imagine uma seleção que joga no Canadá, depois nos Estados Unidos, e precisa retornar para uma nova partida. Sem o visto adequado, o problema deixa de ser esportivo e passa a ser diplomático.

O governo americano defende a medida como parte de sua política de controle migratório, alegando que o sistema ajuda a reduzir permanências ilegais. Já a FIFA tenta evitar um desgaste global às vésperas do maior evento do futebol.

Mesmo sem atingir diretamente o Brasil neste momento, a discussão levanta uma questão inevitável: até que ponto uma Copa do Mundo pode ser considerada global quando parte dos seus torcedores enfrenta barreiras financeiras desse tamanho para entrar no país-sede?

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