No mesmo dia em que o Supremo retomou o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) e outros sete acusados pela tentativa de golpe de Estado, a embaixada dos Estados Unidos no Brasil voltou a apertar o cerco contra o ministro Alexandre de Moraes.
Em publicação nesta terça-feira (9), a embaixada republicou mensagem do subsecretário para Diplomacia Pública do Departamento de Estado, Darren Beattie, em que reafirma as sanções aplicadas ao magistrado. Citando o Dia da Independência brasileira, a nota afirma que os EUA “continuarão a tomar medidas cabíveis” contra Moraes e outros “cujos abusos de autoridade têm minado as liberdades fundamentais”.
As punições têm base na Lei Global Magnitsky Act e já incluem o bloqueio de bens em solo americano, o cancelamento de vistos de Moraes e familiares e até o risco de suspensão de cartões de crédito de bandeira norte-americana. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, acusa Moraes de “campanha opressiva de censura, detenções arbitrárias e processos motivados politicamente — inclusive contra Jair Bolsonaro”.
Enquanto isso, em Brasília, o próprio Moraes foi a voz mais dura contra o ex-presidente. Em mais de três horas de voto, o relator da chamada “trama golpista” descreveu Bolsonaro como chefe de uma organização criminosa responsável pela tentativa de golpe de Estado.
“Não há dúvidas de que houve tentativa de golpe e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O que este julgamento discute é a autoria. E o réu Jair Bolsonaro deu sequência à estratégia golpista estruturada, sob sua liderança, para obstruir a Justiça Eleitoral e garantir seu grupo político no poder”, declarou.
O ministro ainda reforçou a legitimidade da delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, peça-chave da acusação, e rebateu a tese de contradições levantada pelas defesas. “Isso beira a litigância de má-fé”, disse.
A Primeira Turma do STF iniciou a fase decisiva do processo. Nenhum dos réus acompanhou o julgamento no plenário.

