A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Nesta quinta-feira (11), o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, publicou mensagem em tom de ameaça, prometendo que Washington reagirá ao que chamou de “caça às bruxas” contra o ex-mandatário brasileiro. Horas depois, o Itamaraty respondeu de forma contundente, afirmando que a democracia do país não se deixará intimidar.
Ameaça de Washington
Em seu perfil no X (antigo Twitter), Rubio escreveu: “Os Estados Unidos responderão de forma adequada a essa caça às bruxas”. O chefe da diplomacia norte-americana acusou o relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, de ser um “violador de direitos humanos” e de promover “perseguições políticas”. Para ele, a decisão dos magistrados do STF contra Bolsonaro foi “injusta” e carrega motivações ideológicas.
O secretário de Estado repetiu a mesma expressão usada em julho pelo presidente Donald Trump, quando anunciou um tarifaço contra produtos brasileiros. Na ocasião, a Casa Branca justificou a medida com base nas decisões do STF contra empresas de tecnologia e no processo que tramitava contra Bolsonaro. Agora, além de ameaçar novas sobretaxas, Rubio sinalizou que magistrados brasileiros podem entrar novamente na mira de sanções pessoais.
Defesa brasileira
A resposta veio em nota publicada pelo Itamaraty na noite desta quinta-feira. O Ministério das Relações Exteriores classificou as declarações de Rubio como “um ataque à autoridade brasileira” e reforçou que a Justiça agiu com total independência: “Ameaças como a feita hoje pelo secretário de Estado norte-americano não intimidarão a nossa democracia. Continuaremos a defender a soberania do país de agressões e tentativas de interferência, venham de onde vierem”.
Segundo o comunicado, o processo que resultou na condenação de Bolsonaro garantiu “amplo direito de defesa” aos réus. O texto conclui: “As instituições democráticas brasileiras deram sua resposta ao golpismo”.
Condenação no STF
Mais cedo, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria de 4 votos a 1 para condenar Bolsonaro por cinco crimes: tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. O único voto divergente foi do ministro Luiz Fux, que defendeu a absolvição da maioria dos acusados e apontou culpabilidade apenas em dois casos específicos.
Escalada de tensão
A troca de declarações ameaça abrir uma crise sem precedentes entre Brasília e Washington desde a redemocratização. De um lado, Trump e Rubio acenam com represálias políticas e econômicas; de outro, o governo brasileiro insiste na defesa da soberania e na legitimidade de suas instituições. A escalada coloca em xeque não apenas a relação diplomática entre os dois países, mas também acordos comerciais bilionários.

