O momento mais inesperado da Assembleia-Geral da ONU até agora veio de Donald Trump. Minutos depois de Luiz Inácio Lula da Silva fazer um discurso duro contra Washington, sem citar nomes, o presidente dos Estados Unidos revelou que se encontrou rapidamente com o brasileiro nos bastidores, trocaram um abraço e sentiram o que chamou de “excelente química”.
“Eu só faço negócios com pessoas que eu gosto. E eu gostei dele, e ele de mim. Por pelo menos 30 segundos nós tivemos uma química excelente, isso é um bom sinal”, declarou Trump. Ele afirmou ainda que os dois líderes já marcaram uma reunião formal para a próxima semana.
A reviravolta ocorre em meio ao pior momento da relação entre os dois países em mais de 200 anos de história diplomática, com tarifas duras impostas por Washington contra produtos brasileiros. A expectativa é de que o encontro trate justamente dessas barreiras comerciais.
Em seu próprio discurso na ONU, Trump adotou um tom marcado por autoelogios e críticas. Disse que a ONU gasta demais, lembrou que os EUA não pagam suas contribuições há dois anos, o que estaria deixando a entidade em dificuldades financeiras, e ironizou situações triviais — como o teleprompter que não funcionava e a chuteira rolante que quase derrubou sua esposa.
O contraste não poderia ser maior: enquanto Lula endurecia o tom contra Washington, o secretário Marco Rubio entrou no plenário durante a fala do brasileiro, ampliando o clima de tensão. Logo depois, no entanto, veio o gesto de Trump, que surpreendeu ao acenar uma bandeira branca e abrir espaço para o diálogo direto com Lula.

