João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Escolha de Flávio Bolsonaro pela Federação União Progressista fortalece Efraim na disputa local
29/01/2026 15:57
Redação ON Reprodução

A sinalização dada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que a chapa presidencial do PL em 2026 deve ter um vice da Federação União Progressista (União Brasil/PP) caiu como uma bomba no xadrez político da Paraíba. O movimento, desenhado para compensar a saída de Ronaldo Caiado do União Brasil, transforma a disputa pelo comando da federação no estado – até então uma questão burocrática e de bastidores – em um dilema ideológico de grandes proporções.

Em Brasília, o desenho é claro: o PL busca robustez para enfrentar o projeto de reeleição de Lula. A Federação União Progressista, presidida por Antônio de Rueda (União) e tendo Ciro Nogueira (PP) como vice, é a noiva da vez.

Na Paraíba, no entanto, a federação é um animal de duas cabeças puxando para lados opostos. De um lado, o Senador Efraim Filho (União Brasil), que detém administrativamente a presidência estadual da federação (conquistada no fim de 2025). Efraim é um político de espectro centro-direita, com trânsito livre no bolsonarismo e postura de independência em relação ao governo estadual.

Do outro, o grupo dos Ribeiro (Progressistas) – liderado pelo deputado Aguinaldo, a senadora Daniella e o vice-governador Lucas Ribeiro. Eles reivindicam o comando político da federação, apoiados por declarações de aliados como Damião Feliciano. O problema? O grupo é a espinha dorsal do governo João Azevêdo (PSB), aliado de primeira hora do presidente Lula.

As Consequências

A fala de Flávio Bolsonaro traz três consequências imediatas e de alto impacto para a política paraibana:

1. O Constrangimento do Palanque Duplo:

Se a Federação fechar nacionalmente com o PL de Bolsonaro, torna-se politicamente insustentável para o grupo dos Ribeiro manter o comando da sigla na Paraíba e, simultaneamente, pedir votos para a esquerda ou manter a aliança com o PSB local. O Progressistas da Paraíba teria que escolher: ou rompe com o governo estadual para seguir a fidelidade nacional, ou perde o comando da federação para quem já está alinhado à direita.

2. O Fortalecimento de Efraim Filho:

A tese de Flávio Bolsonaro dá munição pesada a Efraim. O senador pode argumentar em Brasília que é incoerente entregar o comando da federação na Paraíba a um grupo (Ribeiros) que fará campanha contra o candidato presidencial da própria federação. Efraim torna-se, assim, o “porto seguro” para o projeto nacional do PL/União/PP no estado.

3. O Futuro de Lucas Ribeiro:

O vice-governador Lucas Ribeiro (PP) trabalha para encabeçar a chapa majoritária ao governo em 2026. Se a federação for empurrada para o colo do PL nacionalmente, o projeto de Lucas pode ficar isolado ou dependente de uma complexa engenharia para não perder o tempo de TV e o fundo eleitoral da federação, caso o comando fique com Efraim.

Enquanto Aguinaldo Ribeiro e Damião Feliciano tentam consolidar a narrativa de que o comando é dos Progressistas “por gravidade”, a realidade imposta pela nacionalização da campanha joga contra eles. Efraim Filho, ao manter a cautela e segurar a caneta administrativa, aguarda o desfecho nacional que pode, por vias transversas, consolidar sua liderança e empurrar seus adversários locais para uma “sinuca de bico” ideológica.

A decisão final irá de Brasília, mas os efeitos colaterais já ditam o ritmo da pré-campanha em João Pessoa.

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