Aos 77 anos, o jornalista Petrônio Souto decidiu fazer algo que ainda não tinha feito ao longo de décadas de uma vida intensa nas redações de jornal, nas cabines de rádio, nos estúdios de TV e nos tribunais: lançar o seu primeiro livro. Um dos profissionais mais respeitados do jornalismo paraibano, ele mesmo se define hoje como um sobrevivente. Sobreviveu à Covid, a um AVC e às exigências de uma trajetória dedicada quase inteiramente ao trabalho de escrever para os outros. Talvez por isso a disciplina que mantém até hoje seja quase simbólica. Faça chuva ou faça sol, diariamente, com pontualidade britânica, Petrônio Souto estará caminhando na calçadinha da praia do Cabo Branco. É o ritual que preserva a saúde, afia a memória e alimenta a lucidez que o levou, já na maturidade, a transformar exercícios de raciocínio em poesia. O resultado é o livro ‘PS Em Poucas Letras’, que ele lança no dia 26 de março, na Fundação Casa de José Américo — e que, segundo o próprio autor, é apenas o primeiro de três projetos já concluídos, como ele revela na entrevista a seguir.
Onorteonline – Só agora, pertinho de completar 77 anos, você resolve lançar um livro. Por que não escreveu nada antes?
Petrônio Souto – Exímio datilógrafo desde a adolescência, escrevi muita coisa para os outros. Mão de obra disputada a tapa, minha vida foi só trabalho, uma vida de operário mesmo. Meus primeiros empregos foram em banco e cartório, depois migrei para a “centrífuga” das redações de jornal, das cabines de rádio e estúdios de TV, sem falar nos afazeres simultâneos, no campo do Direito. Durante boa parte da minha vida, minhas produções literárias, digamos assim, oscilaram entre o “jornalistês” e o “juridiquês”. Isso de certa forma explica o fato de estar lançando um livro perto de completar 80 anos. Na vida ativa, com a saúde em ordem, não sobrava tempo para refletir melhor sobre mim mesmo e sobre o mundo, o que só veio a ser possível agora, infelizmente quando a saúde exige mais atenção.
Onorteonline – O que é o PS em poucas letras?
Petrônio Souto – Não tem nada fantástico, espetacular, extraordinário nesse livrinho. São quadrinhas de ocasião, em sua quase totalidade feitas como exercícios de memória e raciocínio, recomendados após enfrentar a Covid e um AVC.
Onorteonline – Por que o primeiro livro ser de quadrinhas?
Petrônio Souto – Não é fácil condensar um pensamento, uma ideia, uma mensagem, em estrofes com apenas quatro versos, dentro de regras rígidas de rimas e métrica. Sem dúvida, é uma excelente ginástica para os neurônios. Não sendo filósofo, poeta ou escritor, preferi essa forma de expressão simples e popular, facilmente entendida por qualquer pessoa. Contudo, embora reconhecendo que quem pode dizer que uma obra presta é o leitor, não o autor, imagino que alguém possa enxergar algum valor literário ou filosófico nas minhas quadrinhas. Senão em todas, mas em algumas delas.
Onorteonline – Já que tem hoje todo o tempo de mundo para produzir, tem outros projetos na agenda?
Petrônio Souto – Sim, ainda tenho outros dois livrinhos que espero lançar ainda este ano: SOUTO EM FRASES, quinhentas frases curtas extraídas dos meus escritos. Tem prefácio de Marcondes Brito, orelha de Frutuoso Chaves e contracapa de Luiz Carlos Sousa, e O QUE O VENTO NÃO LEVOU, coletânea de textos que tratam de ideias, sensações e impressões adquiridas ao longo da vida. Está em processo de diagramação e design com o editor Evandro Nóbrega. Tem prefácio do médico João Medeiros Filho, orelha da professora Petra Ramalho Souto, minha primogênita, e contracapa do jornalista Zé Euflávio.
Onorteonline – Agora me dê detalhes do livro que estará lançando no dia 26 de março, na Fundação Casa de José Américo.
Petrônio Souto – São mais de 200 quadrinhas dispostas em 138 páginas, em formato de livro de bolso. Preço: R$50. Importante dizer que a edição é do autor, não tive apoio das leis de incentivo à cultura. A venda não cobrirá os custos de produção, mas o produto da venda servirá para financiar os próximos livros. Inicialmente teremos só o livro físico, mas ele pode ir para o Kindle (aplicativo de acesso para livros virtuais).
Onorteonline – Percebo que seus olhos brilham ao folhear o livro. Por que isso?
Petrônio Souto – Passei um bom tempo da minha vida, junto com companheiros de várias redações, vibrando diante de textos, fotos e trabalhos gráficos bem elaborados. Segundo os padrões internacionais da melhor arte gráfica, este livrinho é uma pequena maravilha. Coordenada pela minha filha caçula Rinah, professora da UFPB, a equipe que o confeccionou deu um show. Pedi a eles simplicidade e minimalismo. E eles entenderam bem o espírito da coisa.