Dividido entre apoiar Lula, manter neutralidade ou buscar uma candidatura própria, o MDB vive um dos momentos mais delicados da sua história recente. O partido que um dia foi o eixo da política brasileira tenta hoje reencontrar seu espaço em meio à polarização entre petismo e bolsonarismo — e às diferentes leituras regionais sobre o que significa ser “independente”.
No plano nacional, o dilema é claro. Uma ala expressiva do MDB, especialmente no Nordeste, defende a reedição da aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que hoje conta com três ministros emedebistas: Simone Tebet (Planejamento), Renan Filho (Transportes) e Jader Filho (Cidades). Essa corrente avalia que o partido deveria manter espaço no governo e, quem sabe, indicar o vice-presidente na chapa de Lula em 2026.
Mas o pragmatismo fala mais alto entre outros caciques regionais. O governador do Pará, Helder Barbalho, embora próximo do Planalto, articula uma candidatura própria ao Senado, e não ao cargo de vice. Já Renan Filho, que administra um dos ministérios mais estratégicos da Esplanada, estuda retornar a Alagoas para disputar o governo. Ambos evitam atrelar seus projetos diretamente ao futuro do presidente.
A corrente paulista, por sua vez, é mais refratária ao PT. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), foi eleito com apoio de Jair Bolsonaro e deve disputar o governo estadual se Tarcísio de Freitas concorrer ao Planalto. Em Minas, o deputado Newton Cardoso Júnior tenta equilibrar-se entre gestos ao governo e acenos ao bolsonarismo, de olho nas alianças regionais.
Essa fragmentação, somada à necessidade de ampliar bancadas federais — critério decisivo para o controle do fundo partidário —, explica por que o MDB hesita em assumir posição nacional. Cada diretório tem seus próprios interesses, e a direção nacional, sob Baleia Rossi, tenta administrar um mosaico de conveniências que se estende por todos os estados
A Paraíba no espelho do MDB
Na Paraíba, o MDB vive uma fase de reorganização e tenta reviver o prestígio que teve sob lideranças como José Maranhão, Ronaldo Cunha Lima, Humberto Lucena e Antônio Mariz, quando o partido ditava o ritmo da política estadual. Hoje, sob o comando do senador Veneziano Vital do Rêgo, a legenda busca reconstruir sua base com movimentos cautelosos e estratégicos.
O MDB paraibano tenta se firmar como uma força autônoma — aberta à conversa com Brasília, mas sem se alinhar automaticamente a qualquer campo.
Esse equilíbrio, no entanto, dependerá do desfecho nacional. Se o partido decidir abraçar formalmente Lula, Veneziano ganha fôlego para articular. Mas, se prevalecer a linha da neutralidade, ele terá de se mover com mais liberdade — e mais riscos — para sustentar um projeto de reconstrução em bases próprias.
Assim como o MDB nacional, o partido na Paraíba enfrenta um dilema que é também simbólico: entre a tradição de independência que o tornou gigante e a necessidade de escolher um lado num Brasil cada vez mais polarizado. O resultado dessa equação pode definir não apenas o futuro do MDB, mas o próprio mapa político da Paraíba em 2026.