João Pessoa, terça-feira, 1 de setembro de 2026
Entre a ousadia e a sobrevivência: vice de Efraim mira eleitor de Lula e tensiona limites do PL na Paraíba
31/08/2026 15:07
Redação ON Reprodução

O pragmatismo eleitoral na Paraíba ganhou contornos inéditos no último fim de semana. Diante dos números da recente pesquisa Quaest — que apontam Lula com 50% das intenções de voto no estado contra 21% de Flávio Bolsonaro, além de Efraim Filho registrando 18% na disputa pelo Governo do Estado —, a candidata a vice-governadora Nayana Pontes (PL) protagonizou um dos gestos mais surpreendentes da pré-campanha. Em entrevista no interior do Estado, a advogada, esposa do deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL) — uma das vozes mais radicais do bolsonarismo paraibano —, pediu abertamente o voto dos eleitores do presidente petista para a chapa do PL.

Para justificar a união de opostos e tentar convencer o eleitorado lulista a apoiar a chapa oposicionista, Nayana recorreu ao histórico de alianças municipais do companheiro de chapa:

“Efraim já tem uma história na política, já tem suas parcerias políticas com o prefeito, que inclusive tem parceria com o presidente Lula. Uma coisa não anula a outra. Nós estamos aqui pra somar na chapa de Efraim e tenho certeza que o eleitor, mesmo ele votando no Lula, vai ver que o melhor pra Paraíba é Efraim Filho” disse Nayana Pontes ao jornalista Anderson Eliziário.

A iniciativa levanta um questionamento inevitável nos bastidores do palanque oposicionista: seria apenas uma atitude isolada e corajosa de Nayana ou uma estratégia alinhada com a cúpula da campanha? Resta saber se o próprio Cabo Gilberto concorda com essa aproximação e se ele e o cabeça da chapa, Efraim Filho, também teriam a mesma disposição de subir nos palanques do interior e pedir, publicamente, o apoio dos simpatizantes do PT na Paraíba.

Apoio cruzado

A declaração dialoga diretamente com a reportagem publicada por este portal no último domingo, na qual detalhamos como o pragmatismo das bases municipais vinha se sobrepondo às coligações formais no interior. Na ocasião, mostramos arranjos que desafiam a lógica partidária tradicional, a exemplo de Serra Branca, onde o deputado George Morais (PL) dividiu palanque com Cícero Lucena (MDB) — adversário direto de seu irmão, Efraim Filho —; de Catolé do Rocha, onde Murilo Galdino (Republicanos) pediu votos para Efraim atendendo a um acordo local; e de João Pessoa, onde a base governista fracionou apoios para o Senado.

No entanto, o aceno de Nayana leva essa dinâmica dos “apoios cruzados” para outro patamar. Se antes as incongruências ficavam restritas às alianças informais de deputados nos municípios, agora é a própria cúpula da chapa majoritária do PL que atravessa a fronteira ideológica para buscar votos na base de seu principal opositor nacional. Cabe agora observar como essa tentativa de construir pontes com o eleitorado lulista repercutirá entre os militantes conservadores do estado e se o eleitor aceitará, na prática, separar o voto presidencial da disputa pelo Governo da Paraíba.

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