O novo decreto de Donald Trump, que impõe uma tarifa global de 10% sobre todas as importações, representa um dos momentos mais tensos das relações internacionais em 2026, configurando-se como uma resposta direta e agressiva à recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que havia invalidado seus “tarifaços” anteriores. Ao assinar a medida, Trump não apenas ignora a barreira jurídica imposta pelos magistrados, mas “dobra a aposta” ao utilizar uma base legal diferente, a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite taxas temporárias para equilibrar o balanço de pagamentos. Para o Brasil, essa manobra é profundamente preocupante, pois coloca o país no centro de um furacão protecionista que não distingue parceiros estratégicos de rivais comerciais.
O impacto imediato na economia brasileira deve ser sentido no encarecimento de produtos vitais para a nossa balança comercial, como o aço, o café e as carnes, que perdem competitividade instantânea no mercado americano frente a produtores locais ou de países que consigam negociar isenções específicas. Mais do que o custo financeiro direto, o que mais assusta o setor produtivo nacional é a instabilidade jurídica e a imprevisibilidade absoluta: com as regras mudando via decreto em resposta a brigas políticas internas de Washington, as empresas brasileiras perdem a capacidade de planejar investimentos de longo prazo. Além disso, há o temor de que essa pressão tarifária seja utilizada como ferramenta de chantagem diplomática, especialmente em um momento em que Trump tem criticado abertamente instituições brasileiras, sinalizando que a economia agora é usada como arma para influenciar a política externa e interna de seus vizinhos. O resultado para o Brasil pode ser uma pressão inflacionária interna e uma desvalorização do real, à medida que o mercado reage à incerteza de um cenário onde o livre comércio parece ter sido substituído pela vontade unilateral de um líder em conflito com o próprio sistema judiciário de seu país.