João Pessoa, sábado, 5 de setembro de 2026
Encontro na Malásia termina com promessa de Trump de rever tarifaço sobre produtos brasileiros
26/10/2025 06:37
Redação ON Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerraram neste domingo (26), em Kuala Lumpur, uma reunião que reabriu o diálogo entre os dois países e terminou com o compromisso do republicano de revisar as tarifas de 50% aplicadas às exportações brasileiras. A conversa ocorreu no Centro de Convenções da capital malaia, à margem da cúpula da Asean, e marcou o primeiro gesto concreto de distensão desde o início da crise comercial.

Trump reconheceu que os aumentos de preços nos Estados Unidos — especialmente na carne, no café e no suco de laranja — pressionaram o setor agropecuário americano e que “acordos vantajosos para ambos os países” podem ser anunciados em breve. “Temos muito respeito pelo Brasil e pelo presidente Lula. Provavelmente faremos alguns bons acordos”, declarou o americano, evitando, porém, especificar condições para a redução imediata das tarifas.

Lula levou uma pauta escrita com reivindicações e disse acreditar na possibilidade de uma relação “mais civilizada e previsível” com os EUA. “O Brasil tem interesse em uma relação extraordinária com os Estados Unidos. Quando dois presidentes sentam à mesa, a tendência é encaminhar para o entendimento”, afirmou. O petista pediu que a imprensa deixasse a sala antes do início das negociações para não “perder tempo com especulações”.

Durante o encontro, Trump se mostrou evasivo sobre temas políticos, como a crise na Venezuela e a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, limitando-se a dizer que “sempre gostou dele” e lamentando sua condenação por tentativa de golpe. Também negou qualquer interferência nas decisões do Brasil sobre sua relação com a China, mas admitiu que pretende se reunir em breve com o presidente Xi Jinping para discutir novos acordos comerciais.

Na avaliação de interlocutores do governo brasileiro, o gesto de Trump indica disposição em reabrir canais diplomáticos e buscar uma saída gradual para o impasse comercial. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve se pronunciar oficialmente nas próximas horas sobre os desdobramentos do encontro.

Antes da reunião com Trump, Lula manteve agenda com o primeiro-ministro de Singapura, Lawrence Wong, e anunciou investimentos do Sudeste Asiático no setor de semicondutores brasileiro. O presidente afirmou que o Brasil quer digitalizar metade da sua indústria até 2033 e triplicar a produção nacional de tecnologias avançadas. “Pesquisadores e empresas do Brasil e da Malásia vão cooperar no desenvolvimento de novos materiais e na implantação de fábricas de chips no sul do país”, declarou.

Com tom pragmático e sinalizações de ambas as partes, a reunião em Kuala Lumpur abre uma nova etapa nas relações entre Brasília e Washington — menos marcada pela retórica e mais voltada a resultados econômicos.

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