Em nova federação, PP e União perdem autonomia na Paraíba: cúpula nacional decidirá tudo
02/05/2025 12:10
Redação ON Reprodução

A criação da federação entre o União Brasil e o Progressistas (PP), que ainda precisa ser homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pode redefinir o jogo político na Paraíba e travar o ímpeto de lideranças locais que disputam protagonismo na sucessão de 2026. O novo arranjo obriga as duas legendas a atuarem em bloco no Congresso e nas eleições estaduais, municipais e nacional — e, com isso, transfere para a cúpula nacional das siglas a decisão final sobre candidaturas a governador e senador, mesmo nos estados onde já se definiu quem vai comandar a federação.

Na Paraíba, onde o martelo sobre qual partido vai liderar o bloco ainda não foi batido, o clima é de tensão. A disputa entre o senador Efraim Filho (União Brasil) e o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) — que trocam farpas públicas e metáforas como a do “foguete com marcha à ré” — poderá ser decidida longe do Palácio da Redenção ou das assembleias partidárias locais. Quem dará a palavra final sobre candidaturas majoritárias será a cúpula nacional da federação, numa tentativa de evitar rachas e desfiliações em massa nos estados.

A briga paraibana é apenas uma entre várias pelo Brasil. Em estados como Pernambuco, Bahia, Ceará e Acre, há conflitos semelhantes entre lideranças regionais. Em Pernambuco, por exemplo, o PP vai comandar a federação, mas a aliança com a governadora Raquel Lyra (PSD) ainda precisa de aval das executivas nacionais. Na Bahia e no Ceará, o União estará no comando, mas deputados do PP seguem aliados aos governadores petistas.

Apesar dos conflitos, a federação representa uma superforça no Congresso: com 107 deputados federais e 14 senadores, a União-PP terá a maior bancada da Câmara, superando até o PL de Jair Bolsonaro. No Senado, o grupo empata com PL e PSD. Juntos, os dois partidos controlam seis governos estaduais, 1.343 prefeituras e um fundo partidário de R$ 954 milhões.

Na Paraíba, a nova configuração nacional tende a diminuir o espaço de articulação regional, obrigando nomes como Efraim e Lucas a alinharem seus projetos aos interesses da federação — ou a correrem o risco de ficar fora do jogo em 2026.

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