- Por Eduarda Queiroz, redação ON
Dados do Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto de Lucena mostram que, em 2024, foram registrados cerca de 881 atropelamentos em João Pessoa, um número de sinistros semelhante ao de 2023. Apenas no último final de semana, das 0h da sexta-feira (7) até às 23h59h de domingo (9), foram registrados sete atropelamentos na capital.
Com o objetivo de reduzir esses números, medidas de segurança e a educação no trânsito são fundamentais para a sociedade. Em 2024, a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob-JP ) realizou mais de 200 ações, com foco em prevenção de acidentes e conscientizar pedestres e motoristas para sanar as ocorrências são registrados diariamente.
Em cidades cada vez mais lotadas de veículos e com sistemas de transportes coletivos mais lentos e reduzidos, o pedestre se torna um dos principais usuários do sistema viário, buscando um deslocamento mais flexível, rápido ou, até mesmo, com o objetivo de realizar alguma atividade física. Para garantir a fluidez das cidades e a qualidade das diversas formas de locomoção é essencial que motoristas e pedestres respeitem as leis de trânsito.
Faixa de pedestre
Não há registros contabilizados na Semob-JP sobre o percentual desses acidentes que ocorreram nas faixas de pedestres. Mas este é um assunto que merece uma abordagem especial, porque o respeito à faixa de pedestre ainda não é uma realidade plenamente consolidada no Brasil. Apesar dos avanços na conscientização, muitos motoristas continuam ignorando essa obrigação básica do trânsito.
Em Brasília, há cerca de 20 anos, uma campanha sistemática da imprensa ajudou a implantar uma cultura de respeito, que posteriormente foi adotada por outras capitais. No entanto, essa consciência ainda não atingiu todos os motoristas, e em cidades como João Pessoa, parte deles respeita a regra, enquanto outros parecem desconhecer ou simplesmente desconsiderar a prioridade do pedestre.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determina que, ao acenar com a mão e colocar o pé na faixa, o pedestre tem prioridade absoluta, e o motorista é obrigado a parar. O descumprimento dessa regra configura uma infração gravíssima, sujeita a multa de R$ 293,47 e sete pontos na carteira de habilitação. Além disso, se houver um acidente por desrespeito à faixa, o motorista pode ser responsabilizado civil e criminalmente, especialmente se houver feridos ou vítimas fatais.
A grande questão é que muitos condutores ainda acreditam que a prioridade é do veículo e não do pedestre. Em João Pessoa, essa cultura persiste, com motoristas que pensam que o trânsito deve fluir independentemente da presença de pedestres. No entanto, a segurança viária depende do cumprimento das regras por todos. Respeitar a faixa de pedestres não é apenas uma questão de educação no trânsito, mas sim uma obrigação legal e um ato de cidadania que pode salvar vidas.