quinta-feira, 9 de abril de 2026
Em desabafo raro, Pedro Cunha Lima expõe os motivos da “saída de cena” na política
08/04/2026 21:38
Redação ON Reprodução

Em meio a uma semana de ruídos políticos e cobranças públicas, o ex-deputado Pedro Cunha Lima protagonizou um dos momentos mais sinceros de sua trajetória. Sem roteiro e sem filtro, ele abriu o jogo sobre o desgaste acumulado ao longo de mais de uma década na política e revelou o que, segundo ele, poucos dizem em voz alta.

Em entrevista ao programa Correio Debate, na rádio Correio FM, Pedro fez um desabafo.

“Quero me distanciar de política. Cheguei em um limite.”

A frase, direta, é menos um anúncio e mais um retrato de exaustão. Ao longo da conversa, ele deixa claro que o ponto central não é sair ou ficar, mas o custo de permanecer.

“Eu acho que eu sou novo, aí o tempo vai dizer se é um até breve, se é um adeus, das duas uma. Ou eu me afasto, me reenergizo, retomo, recobro a minha motivação, a minha disposição de conviver com uma série de coisas que não é fácil.”

O que vem em seguida é o trecho mais revelador. Pedro descreve o funcionamento da política a partir de quem viveu 12 anos seguidos na oposição e aponta para um ambiente marcado por narrativas, desgaste constante e ataques inevitáveis.

“Desde o primeiro instante que eu faço política, que eu estou no campo das oposições, eu vou completar 12 anos fazendo oposição a nível de Estado. Isso quer dizer que tudo que eu faço, tudo que eu falo, qualquer conotação, qualquer narrativa que possa existir para me prejudicar, essa manchete tenha certeza que vai existir. Porque é como o jogo é jogado.”

Ele reconhece que faz parte do processo, mas deixa claro que o preço é alto e, segundo ele, pouco compreendido por quem está fora.

“Agora, para estar nesse lugar e conviver não só com isso, com tantas outras coisas, quem conhece política com profundidade e de dentro, é uma vergonha o funcionamento como um todo.”

A fala chama atenção porque vem de um político jovem, competitivo e com capital eleitoral consolidado. Pedro foi ao segundo turno na disputa pelo governo da Paraíba contra João Azevêdo e ultrapassou a marca de um milhão de votos. Ainda assim, expõe um nível de desgaste que contrasta com o momento de carreira.

O episódio da Granja Santana

O desabafo acontece justamente na semana em que Pedro esteve no centro de uma polêmica. Após o governador Lucas Ribeiro anunciar a transformação da Granja Santana em um espaço sensorial voltado para pessoas com autismo, ele fez um elogio público à iniciativa.

A repercussão foi imediata. Aliado de Cícero Lucena, adversário do grupo governista, Pedro acabou apagando a postagem após pressão política.

O episódio, por si só, já seria mais um capítulo da rotina política. Mas, à luz do desabafo, ganha outro significado: ilustra exatamente o tipo de tensão, cobrança e contradição que ele descreveu na entrevista.

Defesa do Governo Cássio

Na mesma entrevista, Pedro também fez uma defesa enfática do legado do pai, o ex-governador Cássio Cunha Lima, citando ações estruturantes da gestão iniciada em 2003.

“Até o governo Cássio, 52 cidades não tinham ensino médio. Foi o governo Cássio que levou. Os alunos dessas 52 cidades terminavam o Fundamental 2 e das duas uma: ou interrompia sua trajetória escolar, ou então tinha que ficar se deslocando para outra cidade.”

Ele também destacou a interiorização do ensino superior: “Foi no governo Cássio que a UFPB veio aqui para João Pessoa, foi para Patos, foi para Catolé do Rocha, foi para Monteiro. Veja a expansão da universidade.”

E apontou avanços na infraestrutura: “Foi no governo Cássio que a gente dobrou o nosso saneamento básico. Poucas pessoas sabem disso. Na Paraíba, 26% do nosso estado tinha saneamento básico. No final do governo Cássio, 52%.”

Além de outros projetos: “O centro de convenções aqui em João Pessoa foi um projeto licitado, pensado, projetado, tudo no governo Cássio.”

Um retrato raro

Somados, os episódios da semana ajudam a compor um retrato incomum: o de um político que, em vez de discurso calculado, expõe fragilidades, cansaço e críticas ao próprio sistema em que atua.

Mais do que uma decisão sobre futuro político, o que Pedro Cunha Lima entregou foi algo mais raro: uma visão crua, por dentro, de como funciona o jogo que, por fora, costuma parecer muito mais simples do que realmente é.

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