Em Bayeux, o poder é das mulheres e isso ainda é exceção no Brasil
28/12/2025 05:42
Redação ON Reprodução

Na região metropolitana de João Pessoa, a cidade de Bayeux, com quase 100 mil habitantes, vive uma configuração política rara no cenário brasileiro. Prefeitura e Câmara Municipal estão, ao mesmo tempo, sob comando feminino. A prefeita Tacyana Leitão e a presidente da Câmara, Jayslane de Moura, conhecida como Jays de Nita (ambas do PSB) concentram hoje os dois principais centros de decisão do município. Não é apenas um dado simbólico. Trata-se de um arranjo institucional incomum, sobretudo em cidades de médio porte e com peso político regional.

Há diversas cidades brasileiras administradas por mulheres. Capitais, polos industriais, centros logísticos e municípios estratégicos do agronegócio já são governados por prefeitas. O que torna Bayeux um ponto fora da curva é a simultaneidade do comando feminino no Executivo e no Legislativo. Não há, até onde se tem conhecimento, outro município relevante no país que reúna, no mesmo momento, essa configuração de poder.

Esse alinhamento cria um ambiente político específico. Quando Prefeitura e Câmara caminham sem disputa estrutural de poder (e é o que teoricamente espera-se em Bayeux), a tramitação de projetos tende a ser mais fluida e a agenda social ganha centralidade. Políticas públicas voltadas à proteção da mulher, à primeira infância, à assistência social e à inclusão produtiva encontram menos resistência institucional. Bayeux passa a funcionar, na prática, como um laboratório político que contrasta com o padrão dominante da política municipal brasileira.

Grandes Prefeituras 

No cenário nacional, mulheres já administram cidades de grande relevância econômica. Há prefeitas comandando capitais estratégicas para a logística internacional, municípios que concentram parques industriais pesados e cidades que são referência mundial no agronegócio de alta tecnologia. Esses exemplos desmontam a ideia de que mulheres ocupam apenas espaços administrativos periféricos ou de menor impacto econômico. Elas governam centros decisivos da economia brasileira.

Ainda assim, mesmo com esse avanço pontual, a ocupação feminina do poder segue restrita quando se observa a estrutura institucional como um todo. O caso de Bayeux permanece raro justamente por reunir os dois principais poderes municipais sob liderança feminina. Na maioria das cidades, quando há uma mulher no comando da Prefeitura, a presidência da Câmara segue nas mãos de homens, mantendo a lógica tradicional de controle político.

O contraste se acentua quando o olhar se volta para a Paraíba. As duas maiores cidades do estado, João Pessoa e Campina Grande, são administradas por homens, com câmaras municipais igualmente presididas por homens. No plano estadual, o cenário é ainda mais revelador. Às vésperas da eleição de 2026, nenhuma mulher aparece, até agora, como pré-candidata competitiva ao governo do estado.

Nesse contexto, Bayeux não é apenas uma exceção estatística. É um sinal político. Um ponto fora da curva que expõe o quanto a presença feminina nos espaços centrais de poder ainda é limitada, sobretudo quando se trata de grandes cidades e cargos de maior projeção. Enquanto o topo da política estadual permanece fechado às mulheres, uma cidade da região metropolitana mostra, na prática, que outro desenho institucional é possível.

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