Eleições 2026: na conta dos partidos, sobra voto; na urna, faltam cadeiras
29/03/2026 05:46
Redação ON Reprodução

Na Paraíba, a temporada pré-eleitoral tem um ritual conhecido: o desfile de projeções otimistas sobre o tamanho das futuras bancadas. É o chamado palpitômetro — sempre generoso, quase sempre inflacionado. Se todas as contas anunciadas por lideranças partidárias se confirmassem, não haveria cadeiras suficientes na Assembleia Legislativa nem vagas bastariam para a bancada federal. A matemática política, nesse momento, costuma ser mais elástica que a realidade das urnas.

Com a montagem das nominatas em fase final, dirigentes e parlamentares fazem suas apostas — algumas ambiciosas, outras francamente audaciosas. No Partido dos Trabalhadores, a presidente estadual Cida Ramos projeta que a federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, tem potencial para eleger cinco deputados estaduais e dois federais, com chance de um terceiro nome à Câmara. Segundo ela, a chapa foi ampliada e reúne nomes com forte inserção social e política.

No Republicanos, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, aposta na manutenção do desempenho de 2022. A expectativa é repetir a marca de oito deputados estaduais e três federais, consolidando a legenda como uma das maiores forças políticas do estado, tanto na Assembleia quanto na bancada federal.

Já no Partido Liberal, o discurso é de crescimento. Durante o ato de filiação do senador Efraim Filho, o deputado Sargento Neto afirmou que o partido trabalha para dobrar sua representação na Assembleia Legislativa. Hoje com três cadeiras, a meta é alcançar seis vagas na próxima legislatura, impulsionada por novos nomes considerados competitivos.

O Movimento Democrático Brasileiro talvez seja o mais ousado nas projeções. O deputado Felipe Leitão fala em uma bancada de até 11 deputados estaduais, baseada no fortalecimento da nominata e no projeto político liderado pelo prefeito Cícero Lucena. Apesar do entusiasmo, o partido ainda enfrenta divergências internas sobre a formação da chapa.

No Partido Socialista Brasileiro, apesar das recentes movimentações que provocaram a saída de alguns parlamentares, o discurso é de confiança e competitividade. O governador João Azevêdo, presidente estadual da legenda, assegura que o partido terá nominata completa tanto para a Assembleia Legislativa quanto para a Câmara dos Deputados. Em tom direto, ele minimizou os efeitos das baixas e reforçou o potencial da sigla: “Vamos ser competitivos, sim, é o maior partido político”, afirmou, sinalizando que o PSB aposta na própria estrutura e capilaridade para se manter relevante na disputa.

Na federação formada por Progressistas e União Brasil, a estratégia passa por manter ou ampliar a presença tanto na bancada federal quanto na Assembleia Legislativa. O grupo trabalha com a premissa de preservar as atuais posições e ampliar a competitividade da chapa, mirando a reeleição e a eleição de aliados. Sob a influência de lideranças como Aguinaldo Ribeiro e o próprio Efraim Filho, o bloco aposta na capilaridade política em diversos municípios para montar uma nominata forte, alinhada também às disputas majoritárias, com foco em consolidar espaço entre os 12 deputados federais e avançar na representação estadual.

O contraste entre discurso e realidade, no entanto, é inevitável. A Assembleia Legislativa da Paraíba tem 36 cadeiras. A bancada federal do estado soma 12 deputados. Não há espaço para todos os cenários projetados — e é justamente aí que entra o filtro das urnas, onde alianças, coeficiente eleitoral, voto de legenda e desempenho individual redefinem qualquer cálculo prévio.

É aquela velha história; o palanque aceita qualquer placar. Já a urna, essa sim, costuma ser implacável com o excesso de otimismo.

canal whatsapp banner

Compartilhe: