Eleições 2026: cenário indefinido expõe crise de lideranças em todos os campos
18/06/2025 05:31
Redação ON Reprodução

A menos de dois anos da eleição de 2026, o cenário da sucessão estadual na Paraíba parece mais uma névoa espessa do que um campo de definição. Em todos os blocos políticos, sobram incertezas, disputas de bastidores e uma falta generalizada de consenso sobre quem será o cabeça de chapa para a disputa ao governo do Estado.

Na base governista, o impasse é visível. O governador João Azevêdo já manifestou, publicamente, sua preferência pelo vice Lucas Ribeiro. Mas, nos bastidores, outros movimentos acontecem. Cícero Lucena, prefeito de João Pessoa, articula discretamente sua candidatura, ancorado em bons índices de aprovação e de intenção de votos nas pesquisas recentes. Ao mesmo tempo, o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos), pressiona por maior protagonismo e ameaça até romper com o governo caso o seu grupo não seja contemplado na montagem da chapa. Em algum momento, João Azevêdo terá que arbitrar essa disputa interna.

A oposição

Do lado oposicionista, o ambiente também está longe de pacificado. A novidade da semana veio de Campina Grande. O deputado estadual Fábio Ramalho, hoje secretário municipal, deu o tom ao afirmar que o prefeito Bruno Cunha Lima (União Brasil) seria um nome forte para disputar o governo em 2026. A defesa de Ramalho foi enfática, destacando que a atual gestão campinense vive um momento de virada, com entrega de obras e foco em resultados.

Mas o que mais chamou atenção foi o absoluto silêncio de figuras centrais do grupo Cunha Lima após a fala de Fábio. Nem Pedro Cunha Lima — ex-deputado e nome natural do grupo para a sucessão — nem o senador Efraim Filho, presidente estadual do União Brasil, deram qualquer sinal de apoio público à tese. Nem uma curtida nas redes sociais. Nada.

Pedro Cunha Lima, aliás, continua bem posicionado nas pesquisas, figurando atrás apenas de Cícero Lucena na maioria dos cenários. A movimentação para tentar deslocar Bruno como nome central da oposição gera, portanto, especulações sobre possíveis divergências internas no próprio clã político de Campina Grande.

Extrema direita

No campo da direita bolsonarista, o sinal de alerta já está piscando. Apesar de, no papel, ter uma chapa robusta — com Marcelo Queiroga já lançado por Jair Bolsonaro e o pastor Sérgio Queiroz como vice —, a movimentação tem sido quase nula. E a entrevista dada esta semana por Sérgio Queiroz à TV Arapuan acendeu ainda mais as dúvidas.

Cansado das disputas e traições nas próprias fileiras bolsonaristas, Sérgio deixou claro que só entrará na disputa se for num ambiente de consenso e com viabilidade real. Caso contrário, prefere seguir sua carreira de Procurador da Fazenda Nacional e pastor na Cidade Vida. Foi um recado claro ao PL, que hoje parece paralisado, mais preocupado com guerras internas do que em organizar sua estrutura para 2026.

O próprio Sérgio, embora de direita assumida, tem se distanciado da retórica extremada de boa parte dos bolsonaristas paraibanos. Não faz cruzadas diárias contra Lula, nem idolatra Bolsonaro de forma automática. Na entrevista, inclusive, defendeu que a direita na Paraíba precisa dialogar com outras forças políticas, citando até o vice-governador Lucas Ribeiro como interlocutor possível em uma aliança futura.

Resumo da ópera: todos têm problema. Ninguém tem candidato consolidado. O governo ainda não conseguiu pacificar a base; a oposição de Campina Grande está dividida; e o bolsonarismo paraibano segue acomodado e agora, potencialmente, órfão de um dos seus nomes mais respeitados.

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