sexta-feira, 10 de abril de 2026
Eleições 2026 – Aposta, pesquisas e fé: a pré-campanha onde cada um escolhe o placar
10/04/2026 06:02
Redação ON Reprodução

A pré-campanha ao governo da Paraíba ganhou um tempero que mistura política, confiança e um leve toque de cassino. Nada de reuniões discretas ou conversas reservadas. Desta vez, a disputa ganhou contornos públicos – e até uma aposta entrou em campo.

De um lado, você se lembra, o deputado estadual Felipe Leitão, ligado ao grupo de Cícero Lucena, disse que abre mão da tentativa de reeleição caso Lucas Ribeiro ultrapasse Cícero nas pesquisas. Do outro, Eduardo Carneiro, aliado de Lucas, cravou que o vice-governador chegará a junho liderando os levantamentos.

É o tipo de cena que não se vê todo dia: mandato virando ficha simbólica e pesquisa eleitoral sendo tratada quase como resultado de rodada decisiva.

Mas aí entra o detalhe que transforma essa aposta em um exercício quase filosófico: qual pesquisa? Porque, na Paraíba de hoje, não existe exatamente uma corrida eleitoral. Existem várias – uma para cada instituto.

Para o grupo de Cícero, os números mais confiáveis vêm da Anova e da DataRanking, onde o ex-prefeito aparece com folga na liderança. Já no levantamento do Instituto Seta, divulgado pelo site Polêmica Paraíba, a história é outra: a diferença, que já foi de quase 20 pontos, encolheu para cerca de 4%.

E como se não bastasse essa divergência, surge um novo elemento na equação: o Instituto Veritá. Nele, Lucas aparece na frente, mas o fato que mais chamou atenção foi a ascensão de Efraim Filho, que surge em segundo lugar e muda completamente o desenho da disputa. Resultado: cada grupo político passou a ter, digamos, sua “pesquisa de estimação”.

Cada um na sua…

Os aliados de Cícero olham com entusiasmo para os números que o colocam isolado na frente. Já os aliados de Lucas enxergam nos levantamentos mais recentes uma tendência de crescimento. E, no meio disso tudo, há quem comemore a subida de Efraim como sinal de que o jogo ainda está completamente aberto.

Nesse cenário, a aposta entre os deputados ganha um charme especial – e um problema prático. Porque, para cobrar o resultado, seria preciso antes responder a uma pergunta simples, mas impossível: qual instituto vale?

Se Lucas ultrapassar Cícero por meio ponto em uma pesquisa, mas ficar atrás em outra, quem venceu? Se a diferença estiver dentro da margem de erro, empata? E se um instituto disser uma coisa e outro disser o oposto, quem leva o prêmio simbólico?

A aposta, assim, deixa de ser um compromisso e passa a ser exatamente o que parece: um gesto político, uma declaração de confiança, um recado para a militância. No fundo, ninguém está apostando mandato. Estão apostando narrativa.

A dúvida atravessa a divisa

A desconfiança em relação aos institutos não é exclusividade da Paraíba. O próprio Veritá, que provocou tanto barulho por aqui, virou personagem de uma polêmica recente em Pernambuco.

Uma pesquisa do instituto apontou empate técnico entre a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito João Campos. O dado chamou atenção – e foi rapidamente colocado em contraste com outro levantamento, desta vez do RealTime Big Data, que mostrou um cenário completamente diferente: João Campos com 50% das intenções de voto, em condição de vencer no primeiro turno, contra 33% de Raquel.

A discrepância é grande o suficiente para levantar sobrancelhas – e reforçar a sensação de que, dependendo do instituto escolhido, o retrato eleitoral muda de forma considerável.

O que se pode concluir é que a pré-campanha vai seguindo entre números, versões e convicções. E enquanto os institutos divergem, a única certeza é que, por enquanto, cada lado segue liderando – pelo menos na pesquisa em que acredita.

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