Uma reunião prevista entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, foi cancelada pelo governo norte-americano, frustrando uma tentativa de avançar nas negociações após a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelo presidente Donald Trump.
Haddad atribuiu a articulação à extrema-direita, citando nominalmente o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como responsável por tentar impedir contatos entre os dois governos. Segundo o ministro, o parlamentar já havia declarado publicamente que trabalharia para inibir o diálogo bilateral, colocando interesses políticos acima das questões comerciais.
Enquanto a reunião com Bessent era desmarcada, Eduardo concedia entrevista ao Financial Times confirmando que mantém lobby em Washington por novas sanções contra o Brasil, enquanto seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, não estiver livre das decisões do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Entre as medidas que, segundo ele, estão sobre a mesa de Trump, estão novas retaliações tarifárias, a suspensão de vistos e até sanções a familiares do magistrado.
Eduardo também anunciou que pretende viajar à Europa para buscar apoio de partidos de extrema-direita na União Europeia para adotar medidas semelhantes. Ele citou o caso do líder português André Ventura, que manifestou interesse em barrar a entrada de Moraes em Portugal e congelar eventuais bens no país.
Para Haddad, ações como essa comprometem diretamente o interesse nacional e dificultam o trabalho da diplomacia. “Estamos custeando o salário dessa pessoa, e ele não está trabalhando aqui. Está agindo contra o Brasil”, criticou o ministro.
A postura de Eduardo já provoca desgaste não apenas nas negociações econômicas, mas também na imagem do país perante aliados internacionais, reforçando um clima de tensão que mistura disputa comercial e embate político-ideológico.

