O jornalista Petrônio Souto expôs nas redes sociais um caso que ilustra um problema crônico de João Pessoa: a duplicação de nomes de ruas e a troca frequente das denominações. Segundo ele, a Rua Mário Batista Júnior deveria existir apenas no bairro de Miramar, mas também batiza uma via no bairro de José Américo. A única diferença entre as duas é o CEP — detalhe que, embora ajude carteiros, confunde moradores, entregadores e empresas.
Na publicação, Petrônio mostrou que a Rua Mário Batista Júnior em Miramar tem o CEP 58.043-130, enquanto a homônima no José Américo está registrada com o CEP 58.073-350. Para os moradores, a duplicidade é mais que uma curiosidade: é um transtorno diário. Empresas de logística, aplicativos de transporte, motoboys, carteiros e até motoristas de aplicativo se veem obrigados a decifrar endereços com base apenas em códigos postais, muitas vezes sem sucesso.
O caso ganhou repercussão e trouxe à tona uma reportagem antiga do JPB, telejornal da TV Cabo Branco, mostrando que o problema não é novo. Na matéria, moradores do bairro José Américo relatavam viver em uma rua que já teve cinco nomes oficiais diferentes. Originalmente chamada de “Projetada”, a via recebeu ao longo do tempo as denominações Hormezim da Chacón da Silva, José Golveia de Lima, José Severino de Figueiras e, por último, Francisco Jacinto Neto.
A constante troca de nomes cria um efeito dominó de confusões. Contas e correspondências chegam com nomenclaturas antigas, sistemas de empresas não reconhecem os nomes mais recentes e operadores de internet chegam a recusar cadastros porque o endereço “oficial” não aparece em suas áreas de cobertura. “Algumas correspondências chegam com o nome antigo, outras voltam dizendo que o endereço é inválido”, disse um morador à reportagem.
A situação, além de constrangedora para quem vive nesses locais, expõe a falta de padronização e de planejamento no processo de nomeação de ruas, frequentemente usado como instrumento político por vereadores para homenagear aliados e lideranças comunitárias. O resultado é uma cidade onde um nome pode servir para mais de uma rua — e uma rua pode ter mais de um nome —, dificultando a vida de quem depende de localização precisa no dia a dia.