Duelo paraibano entre Motta e Lindbergh acirra crise entre governo e congresso
24/11/2025 13:52
Redação ON Reprodução

O Brasil político assiste nesta semana a um duelo improvável — mas profundamente simbólico — entre dois paraibanos que hoje ocupam posições centrais na engrenagem do poder em Brasília. De um lado, Hugo Motta, presidente da Câmara e um dos nomes mais influentes do Legislativo. Do outro, Lindbergh Farias, líder do governo na Casa, paraibano de nascimento, mas que construiu sua trajetória no Rio de Janeiro e se tornou uma das vozes mais estridentes do PT.

O embate entre os dois extrapola a esfera pessoal. Funciona, na prática, como mais um gatilho para ampliar a crise entre o governo Lula e o Congresso. E, para complicar ainda mais o cenário, soma-se a isso o conflito já aberto entre o Palácio do Planalto e o Senado — especialmente a queda de braço entre Lula e Davi Alcolumbre pela indicação do próximo ministro do STF. O resultado é um ambiente de tensão que atravessa todo o Legislativo.

Sotaque paraibano

A ruptura foi oficializada por Hugo Motta em entrevista à Folha, num tom raro para quem ocupa a presidência da Câmara. “Não tenho mais interesse em ter nenhum tipo de relação com o deputado Lindbergh Farias”, afirmou. Segundo lideranças próximas ao presidente da Casa, a convivência entre os dois agora será “meramente institucional”.

Nos bastidores, aliados de Motta afirmam que a irritação se acumulava há meses. Reclamam que Lindbergh “exaltava o tom” nas reuniões semanais e buscava “constranger a Câmara” em declarações públicas, agindo mais como líder do governo do que como chefe da bancada do PT. Em resumo: um choque permanente de estilos, temperamentos e projetos — tudo com forte repercussão para a articulação política do Planalto.

O projeto antifacção

A faísca mais recente veio na discussão do projeto de lei antifacção — enviado pelo Executivo e apresentado como a principal resposta de Lula à crise de segurança que explodiu após a megaoperação no Rio de Janeiro. Hugo Motta escolheu como relator o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), secretário de segurança de Tarcísio de Freitas e potencial adversário do PT em 2026. Para o governo, foi uma escolha claramente política.

Derrite reescreveu trechos sensíveis do texto. O Planalto acusou o relator de distorcer o projeto. E orientou a base a votar contra. Mesmo assim, foi derrotado: o texto passou e agora está no Senado — mais um ponto de atrito com Alcolumbre.

Governo encurralado

O duelo paraibano, portanto, tem consequência imediata: deteriora a relação entre o governo e a Câmara em um momento em que o Planalto já enfrenta desgaste com o Senado. Lula trava sua própria batalha com Alcolumbre em torno da próxima vaga no STF — e a disputa, segundo líderes do Congresso, tem potencial para comprometer votações estratégicas nos próximos meses.

Em suma: enquanto dois paraibanos duelam pelo protagonismo político em Brasília, o governo vê sua capacidade de articulação minguar. E a crise entre Executivo, Câmara e Senado se transforma num tripé de tensão permanente.

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