quinta-feira, 3 de abril de 2025
Donald Trump dá tarifaço no Brasil e impõe 10%: reciprocidade é guerra!
02/04/2025 6:02 pm
Redação ON Reprodução/Montagem

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2) um pacote agressivo de tarifas sobre produtos importados, batizado por ele de “Dia da Libertação”. O plano, que entra em vigor já nesta semana, inclui a taxação de 10% sobre produtos brasileiros — percentual que, segundo o próprio republicano, se baseia na política de reciprocidade comercial entre países.

“Vamos taxar os outros como eles taxam a gente”, declarou Trump, ao oficializar a nova diretriz comercial da Casa Branca. Segundo ele, o objetivo é começar a reverter o déficit comercial americano, que soma atualmente cerca de US$ 1,2 trilhão em relação ao restante do mundo.

O que muda

A medida mais imediata anunciada é a imposição de 25% de tarifa sobre todos os automóveis importados, especialmente de países europeus e asiáticos, a partir desta quinta-feira (3). Já as autopeças passam a ser taxadas a partir de 3 de maio.

Para o Brasil, Trump impôs uma tarifa-base de 10% sobre produtos em geral, em resposta à carga tributária enfrentada por produtos norte-americanos em território brasileiro. O etanol foi citado como exemplo: enquanto os EUA cobram 2,5% sobre o produto brasileiro, o Brasil impõe 18% sobre o etanol americano.

A lógica da “tarifa recíproca” passa a ser o novo padrão comercial dos EUA. Países que aplicam barreiras maiores aos produtos americanos verão suas exportações sofrerem retaliações proporcionais. A Casa Branca, no entanto, deixou espaço para negociações bilaterais e ajustes individuais.

Reação do Brasil

O governo brasileiro reagiu com preocupação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o país vai recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a nova política de tarifas. Segundo o Palácio do Planalto, caso a contestação internacional não surta efeito, o Brasil poderá retaliar com tarifas sobre produtos norte-americanos, especialmente no setor agrícola.

Setores como aço, alumínio e etanol, que já enfrentavam dificuldades após tarifas anteriores impostas por Trump, agora se preparam para mais um baque. Para representantes da indústria, o tarifaço pode afetar diretamente a competitividade brasileira no maior mercado consumidor do planeta.

O que pode acontecer

Com a entrada em vigor da nova política, analistas preveem um aumento na tensão comercial global. Especialistas temem que a medida abra espaço para uma nova onda de protecionismo, especialmente em ano eleitoral nos Estados Unidos. Países que dependem fortemente das exportações para os EUA, como México, Coreia do Sul, Alemanha e China, também devem reagir.

Além disso, o impacto sobre cadeias produtivas globais, especialmente no setor automotivo, pode ser profundo. Com tarifas maiores, os preços de produtos importados devem subir dentro dos EUA, pressionando o consumo interno e desafiando a inflação — um tema delicado para o Federal Reserve.

E agora?

O “Dia da Libertação”, como batizado por Trump, pode marcar uma nova fase nas relações comerciais internacionais. Para o Brasil, o desafio será manter sua presença no mercado americano sem perder competitividade, ao mesmo tempo em que negocia para não ser ainda mais penalizado por futuras medidas unilaterais.

A diplomacia e a política comercial brasileira terão que atuar com habilidade para equilibrar os danos e, quem sabe, encontrar novas brechas em acordos bilaterais ou regionais. O jogo, agora, é tarifado — e vale bilhões.

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