Um conjunto de documentos divulgados recentemente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revela que um “grande grupo brasileiro” é mencionado em anotações feitas a partir de um depoimento prestado ao FBI, a polícia federal americana, no contexto das investigações sobre o bilionário Jeffrey Epstein. O material faz parte de milhares de registros tornados públicos por determinação do Congresso dos EUA e foi identificado em apuração da BBC News Brasil, assinada pelo jornalista Luiz Fernando Toledo.
Os arquivos reúnem relatos colhidos ao longo de anos por autoridades americanas e dizem respeito a suspeitas de abusos sexuais e tráfico de mulheres e meninas atribuídos a Epstein, que foi condenado por crimes sexuais e morreu em 2019. A referência ao grupo brasileiro aparece em notas manuscritas baseadas em uma entrevista realizada pelo FBI em maio daquele ano.
Segundo o conteúdo disponível, as anotações mencionam pessoas que teriam sido levadas como possíveis vítimas para encontros sexuais, incluindo menores de idade. Em um dos trechos, a expressão “amigos de amigos” antecede a menção ao “grande grupo brasileiro”, sem que haja detalhes sobre identidades ou circunstâncias específicas.
Grande parte do material divulgado está com trechos tarjados, o que impede a identificação das pessoas envolvidas e limita a compreensão completa do contexto. Ainda assim, os documentos indicam a existência de conexões internacionais e reforçam o alcance global das investigações relacionadas ao caso Epstein.
O conjunto também inclui referências genéricas a modelos que teriam vindo do Brasil e a deslocamentos entre países, sempre de forma fragmentada e sem confirmação de fatos, justamente por causa das omissões e cortes impostos aos arquivos tornados públicos.
As autoridades americanas não fazem acusações diretas a brasileiros específicos nos trechos divulgados, e os próprios documentos ressaltam que se tratam de registros preliminares, baseados em depoimentos, muitos deles incompletos ou inconclusivos.

