O Maior São João do Mundo, em Campina Grande, vai muito além das mais de 30 noites de festa, trios de forró e toneladas de milho consumidas no Parque do Povo. Em anos que antecedem a corrida eleitoral, o evento consolida seu papel como um dos principais termômetros políticos do país. No atual cenário de articulações para a sucessão presidencial, a “romaria” de pré-candidatos à Rainha da Borborema já começou a se desenhar de forma intensa, provando que o voto do eleitorado nordestino passa, obrigatoriamente, pelo calor da fogueira paraibana.
Para a edição deste ano, três nomes de peso da oposição nacional já carimbaram o passaporte rumo ao Parque do Povo: o senador Flávio Bolsonaro, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Os três movimentam os bastidores locais e buscam consolidar pontes com lideranças do estado. A grande incógnita da temporada gira em torno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora ministros de seu governo já tenham agendas institucionais previstas para o período festivo na cidade, Lula ainda não confirmou presença, repetindo o comportamento de pleitos recentes, quando optou por não integrar o circuito junino da cidade durante o auge dos festejos. Nas eleições de 2022, por exemplo, o petista só cumpriu agenda política em Campina Grande em agosto, semanas após o encerramento do São João.
Teste de popularidade e tradição histórica
Essa intensa movimentação de pré-candidatos não é um fenômeno recente, mas uma tradição cirurgicamente calculada pelas equipes de marketing político. Como as festas acontecem em junho, momento exato em que os partidos fecham alianças e desenham as estratégias antes das convenções oficiais, o São João de Campina Grande vira a vitrine perfeita. É a oportunidade ideal para os presidenciáveis vestirem o chapéu de couro, testarem o corpo a corpo direto com a população no calçadão e garantirem a clássica foto comendo milho assado — símbolos de aproximação com o Nordeste.
Olhando para trás, o Parque do Povo já foi palco de momentos emblemáticos da história política recente. Nas eleições de 2022, o então presidente Jair Bolsonaro utilizou o Dia de São João, 24 de junho, para realizar uma motociata e discursar para milhares de apoiadores na festa. Em 2018, uma corrida eleitoral extremamente fragmentada levou candidatos de diferentes espectros políticos, como Geraldo Alckmin, Álvaro Dias e Guilherme Boulos, a visitarem os camarotes campinenses no mesmo mês.
O ápice desse “frente a frente” junino ocorreu na disputa de 2010, quando Dilma Rousseff e José Serra travaram um verdadeiro duelo de agendas, cruzando o Parque do Povo com poucos dias de diferença para medir, de forma milimétrica, os aplausos e as vaias do público. Seja para consolidar alianças com clãs políticos locais ou para sentir o termômetro das ruas, a verdade é uma só: quem quer governar o Brasil sabe que o caminho para o Planalto fica muito mais viável para quem sabe dançar conforme o ritmo do forró de Campina Grande.