quarta-feira, 1 de abril de 2026
Do céu ao inferno: a queda meteórica da Pixbet, gigante das apostas de paraibano
10/09/2025 20:33
Redação ON Reprodução

A trajetória meteórica da Pixbet, empresa de apostas fundada pelo paraibano Ernildo Júnior, natural de Serra Branca, parecia um verdadeiro conto de fadas empresarial. Em pouco tempo, a marca saltou das páginas de economia para as vitrines do futebol brasileiro, estampando a camisa do Flamengo, patrocinando o Corinthians e virando referência de sucesso no mercado de apostas online. Ernildo chegou a flertar com a política, segundo aliados, sondando uma vaga de suplente do governador João Azevêdo no Senado — tentativa que, no entanto, não avançou.

Agora, o que era uma história de ascensão ganha contornos de escândalo. A Justiça Federal autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal de empresas e pessoas ligadas à Pixbet, no âmbito de uma investigação que apura supostos crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e operação irregular de instituição financeira. A decisão foi assinada pelo juiz Vinícius Costa Vidor, da 4ª Vara Federal de Campina Grande, após denúncias apresentadas pelo GAECO do Ministério Público Federal.

Estruturas de fachada e remessas ao exterior

De acordo com a Polícia Federal, empresas do grupo Pixbet movimentaram bilhões de reais por meio de estruturas de fachada, enviando recursos para paraísos fiscais e burlando regras cambiais. O alvo central é a holding Pix Star Brasilian N.V., sediada em Curaçao, que controla a Pixbet e é suspeita de usar a plataforma de apostas para disfarçar remessas ilegais de dinheiro ao exterior.

Um dos episódios citados no inquérito envolve o contrato de patrocínio ao Corinthians. Segundo os autos, a empresa repassou R$ 5,2 milhões ao clube paulista, que posteriormente devolveu R$ 15,3 milhões após a rescisão contratual. Para os investigadores, a diferença entre os valores pode ter funcionado como mecanismo de lavagem, reinserindo recursos ilícitos no sistema financeiro nacional.

O império do jogo e os indícios de fraude

O inquérito também aponta para a plataforma paralela Brasfichas, usada por cerca de 60 mil apostadores. Ela teria servido para converter reais em dólares fora do sistema oficial, inclusive com a utilização de CPFs de pessoas já falecidas em mais de 1.400 operações — algumas delas superiores a R$ 1,5 bilhão.

A gravidade das descobertas coloca Ernildo Júnior no centro da investigação. Até pouco tempo atrás, ele era celebrado como símbolo de sucesso empresarial, com trânsito livre em clubes, festas e bastidores da política. Hoje, seu nome aparece associado a uma engrenagem suspeita de movimentar cifras bilionárias de forma irregular.

Processo em sigilo

O processo corre sob segredo de Justiça. Foram requisitados extratos bancários, transações em cartões, operações via PIX, registros de câmbio e investimentos entre 2021 e 2025. Embora as informações oficiais ainda estejam em fase de apuração, a queda brusca da Pixbet expõe um setor que cresceu em ritmo alucinante, mas que agora enfrenta a realidade da regulamentação e da fiscalização cada vez mais dura.

A pergunta que fica no ar: o sucesso da Pixbet foi resultado apenas de ousadia empresarial ou estaria apoiado em um sofisticado esquema de movimentações ilegais?

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