A tendência nacional de celebridades, influenciadores digitais e comunicadores disputarem vagas na Câmara dos Deputados em 2026 também começa a ganhar contornos próprios na Paraíba. Um levantamento que circula nas redes sociais reúne nomes conhecidos nacionalmente, como Rachel Sheherazade, Silvia Abravanel, Antônia Fontenelle, Val Marchiori, Gracyanne Barbosa, Geraldo Luís e o ex-jogador Edmundo, entre outros, mostrando que a popularidade conquistada na televisão e na internet continua sendo vista como um importante ativo eleitoral.

Entre esses nomes, um chama atenção dos paraibanos: a jornalista Rachel Sheherazade, natural da Paraíba, que aparece como pré-candidata a deputada federal por São Paulo. A presença dela na relação reforça um movimento que já se consolidou em diversos estados brasileiros: transformar audiência, seguidores e reconhecimento público em votos.
Na Paraíba, porém, esse fenômeno não é novidade. Há alguns anos, comunicadores vêm demonstrando que o alcance diário junto ao público pode representar uma base eleitoral significativa.

O caso mais emblemático é o de Nilvan Ferreira. Depois de décadas no rádio e na televisão, construiu uma das maiores trajetórias eleitorais recentes do estado. Primeiro disputou o Governo da Paraíba e, na eleição seguinte, concorreu à Prefeitura de João Pessoa, chegando ao segundo turno contra Cícero Lucena. Agora, é apontado como um dos nomes mais fortes para a disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, com expectativa de figurar entre os deputados estaduais mais votados.

Outro nome lembrado é o de Samuka Duarte, apresentador bastante conhecido da televisão paraibana. Com forte identificação junto ao público dos bairros populares e presença diária na TV, também tenta transformar a popularidade construída ao longo da carreira em mandato parlamentar, repetindo um modelo bastante comum no Nordeste.
O fenômeno alcança ainda o universo digital. Influenciadores passaram a despertar o interesse de partidos políticos pela capacidade de mobilizar milhões de visualizações e um público fiel nas redes sociais. A grande dúvida, no entanto, permanece a mesma: quantos seguidores realmente se convertem em votos?
Um exemplo dessa transição é o jornalista Emerson Machado, o Môfi. Figura histórica do jornalismo policial paraibano, ele migrou com sucesso para as plataformas digitais e já experimentou a política em 2022, quando disputou uma vaga na Assembleia Legislativa e ficou na suplência com 8.565 votos. Este ano ele é candidato novamente a deputado Estadual pelo Republicanos e surge como um nome forte.

Outro influenciador frequentemente citado é Gustavo Chaves, que construiu grande audiência produzindo conteúdo de humor para as redes sociais. Seu caso representa uma nova geração de criadores de conteúdo que desperta interesse do meio político justamente pela enorme capacidade de engajamento entre o público jovem.
Mas nem toda popularidade desperta vontade de disputar eleições.

O advogado e influenciador Marcos Pires, que reúne milhares de seguidores nas redes sociais e frequentemente tem o nome lembrado para uma eventual candidatura, respondeu com bom humor ao ser questionado pelo Portal O Norte Online sobre essa possibilidade:
“Kkkkkk, amigo, acho que se Lampião e Madre Teresa de Calcutá convivessem num mesmo corpo e esse candidato fosse eleito deputado federal, sabe o que ele poderia fazer entre os 513 outros deputados? Pois é, nada. E nada eu já faço praticando o nadismo. Como me ensinou Agnaldo Almeida: sapateiro, aos teus sapatos. Abração.”
A brincadeira de Marcos Pires encerra uma discussão que deve ganhar ainda mais força até outubro. Se antes a televisão era a principal vitrine para lançar candidatos, hoje as redes sociais dividem esse protagonismo. Resta saber quantos seguidores conseguirão transformar popularidade em votos nas urnas.