A abertura de estudos para criação de uma área indígena em uma região considerada um verdadeiro paraíso turístico acendeu o alerta entre moradores e proprietários de imóveis que podem ser atingidos. A iniciativa partiu da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que instituiu um grupo técnico para analisar a situação fundiária e cartorial da área antes de qualquer decisão oficial. A informação é da coluna de Carlos Madeiro, do portal UOL.
O diagnóstico concluído no fim de 2025 mostra que o território em análise está longe de ser vazio. Há uma ocupação consolidada por não indígenas, com presença de loteamentos, condomínios e pousadas, o que amplia o potencial de conflito na região.
Diante desse cenário, uma das alternativas em discussão é a criação de “ilhas”, modelo que permitiria a permanência de algumas comunidades dentro da área demarcada. O argumento é que muitos desses ocupantes estão na região há décadas, alguns desde os anos 1980, o que pode abrir espaço para soluções jurídicas específicas, inclusive com anuência das lideranças indígenas.
O tamanho real da área, no entanto, ainda é uma incógnita. O mapa oficial segue em elaboração e só deve ser divulgado após a conclusão do estudo antropológico. Enquanto isso, a falta de informações concretas tem alimentado a circulação de mapas não oficiais e versões infladas da área, aumentando a tensão.
Integrantes do Ministério Público Federal defendem cautela e negociação para evitar prejuízos generalizados. A intenção é construir uma solução que envolva a Funai, as lideranças indígenas e os moradores, especialmente nas áreas onde há sobreposição com assentamentos da reforma agrária.
Caso imóveis privados sejam incluídos na área a ser oficialmente reconhecida, a legislação prevê indenização pela União, seguida da desocupação. Até lá, o que se vê é um cenário de incerteza crescente em uma região valorizada pelo turismo e agora também marcada por uma disputa fundiária em potencial.
