terça-feira, 3 de março de 2026
Dia a dia na Papudinha pesa contra prisão domiciliar de Bolsonaro. Veja como é a rotina
03/03/2026 12:54
Redação ON Reprodução

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de negar mais um pedido de prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi sustentada, principalmente, por relatórios técnicos que descrevem uma rotina considerada estável, assistida e ativa dentro do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.

Ao contrário da tese apresentada pela defesa, que alegava necessidade de cuidados especiais fora do ambiente prisional, os documentos analisados pelo ministro apontam que Bolsonaro recebe acompanhamento médico contínuo e mantém atividades diárias compatíveis com boas condições clínicas.

Segundo a decisão, baseada em laudo da perícia médica da Polícia Federal e relatórios de monitoramento, o ex-presidente foi atendido por equipes de saúde em 144 ocasiões ao longo de 39 dias — média de quase quatro atendimentos por dia — o que, para Moraes, demonstra acesso permanente à assistência médica dentro da unidade.

A estrutura montada no batalhão inclui médico da Secretaria de Saúde do Distrito Federal e uma Unidade de Saúde Avançada do Samu funcionando em regime de plantão 24 horas, com enfermeiros em sistema de rodízio exclusivo para acompanhamento do preso.

Os relatórios também detalham a rotina pessoal de Bolsonaro na prisão. De acordo com a perícia, ele mantém horários regulares de descanso, relatando dormir por volta das 22h e acordar às 5h, embora normalmente deixe o leito apenas às 8h. As manhãs são dedicadas ao café, higiene pessoal e leitura de livros.

Após o almoço, o ex-presidente costuma fazer um repouso de aproximadamente 20 minutos. No período da tarde, assiste a programas esportivos na televisão e conversa com o policial responsável pela guarda do alojamento.

Um dos pontos destacados na decisão foi a prática regular de atividade física. Bolsonaro realiza caminhadas diárias de cerca de um quilômetro na área comum do batalhão, sempre sob escolta policial. O relatório contabilizou 33 caminhadas no período analisado, com duração média de uma hora cada.

Para Alexandre de Moraes, o conjunto dessas informações afasta o argumento de agravamento de saúde que justificaria a substituição da prisão preventiva por domiciliar. A avaliação do ministro foi de que o ambiente prisional oferece condições adequadas de tratamento médico, monitoramento constante e preservação da rotina do ex-presidente.

Na prática, a intensa atividade registrada dentro da Papudinha acabou se tornando um dos principais elementos contra o próprio pedido da defesa: ao demonstrar autonomia funcional, mobilidade e acompanhamento permanente de saúde, os relatórios reforçaram o entendimento de que não há, neste momento, fundamento humanitário suficiente para autorizar a saída do ex-presidente do regime atual.

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