Dez anos depois da votação que autorizou a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, em 17 de abril de 2016, vale revisitar como se posicionou a bancada da Paraíba naquele dia. Foi ali, naquela sessão histórica e caótica, que o país deu o primeiro passo formal para o afastamento da presidente – etapa que só seria concluída meses depois, em agosto, no Senado.
“Como vota, deputado?” A frase repetida pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, marcou uma sessão que atravessou horas, acumulou discursos de todos os tipos e terminou com um placar elástico a favor do impeachment.
Na Paraíba, o resultado foi praticamente unânime. Dos 12 deputados federais do estado, apenas um votou contra: Luiz Couto, do PT. Todos os demais acompanharam o movimento majoritário da Câmara e votaram pela abertura do processo.
Votaram sim:
Aguinaldo Ribeiro (PP)
Benjamin Maranhão (SD)
Efraim Filho (DEM)
Hugo Motta (PMDB)
Manoel Junior (PMDB)
Pedro Cunha Lima (PSDB)
Rômulo Gouveia (PSD)
Veneziano Vital do Rêgo (PMDB)
Wellington Roberto (PR)
Wilson Filho (PTB)
Damião Feliciano (PDT)
Votou não:
Luiz Couto (PT)
Dez anos depois, o dado ganha um novo significado político. Hoje, dois dos principais grupos da política paraibana disputam o apoio do PT e do presidente Lula – justamente legendas que, naquele momento, votaram pelo impeachment. De um lado, o PP, liderado por Aguinaldo Ribeiro. Do outro, o MDB, sob a liderança de Veneziano Vital do Rêgo. Ambos estiveram entre os votos favoráveis à abertura do processo em 2016.
Como foi no Senado
A votação no Senado, que selou o destino de Dilma Rousseff, só ocorreu em 31 de agosto de 2016. Na ocasião, a Paraíba manteve a tendência majoritária, mas com uma divisão.
Cássio Cunha Lima (PSDB) votou sim, alinhado à oposição e como uma das vozes mais ativas em defesa do impeachment. José Maranhão (PMDB) também votou sim, acompanhando a posição do seu partido, que já ocupava a Presidência da República com Michel Temer.
A exceção foi Raimundo Lira (PMDB), que votou não, mesmo sendo do mesmo partido de Temer e tendo presidido a comissão do impeachment no Senado. Sua posição destoou da maioria e chamou atenção à época.
Outro ponto marcante daquele julgamento foi o chamado fatiamento da votação, que permitiu a cassação do mandato de Dilma, mas preservou seus direitos políticos.
Uma década depois, a lista de votos da bancada paraibana funciona como um retrato fiel de um momento de forte alinhamento político. Mas também mostra o quanto as posições mudam com o tempo – e como antigos votos continuam ecoando nas disputas do presente.
