terça-feira, 4 de agosto de 2026
Descoberta da UEPB que detecta metanol em bebidas ganha destaque no Jornal Nacional
04/10/2025 06:39
Redação ON Reprodução

O Jornal Nacional, da TV Globo, dedicou um espaço especial nesta sexta-feira (3) a uma pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em Campina Grande. O motivo do destaque é uma descoberta que pode salvar vidas: um método rápido, acessível e preciso para identificar a contaminação de bebidas por metanol.

Garantir a pureza de destilados como a cachaça — produto símbolo da cultura nordestina — é o foco dos pesquisadores da UEPB. Eles criaram um equipamento capaz de identificar adulterações em poucos minutos, sem precisar abrir a garrafa e sem o uso de produtos químicos. O sistema utiliza luz infravermelha, que ao atravessar o vidro provoca uma agitação nas moléculas da bebida.

Um software de leitura e análise interpreta o comportamento das partículas e revela se há substâncias estranhas na composição — desde a simples adição de água até a presença altamente tóxica do metanol.

Segundo os cientistas envolvidos, o método alcança 97% de precisão e pode ser aplicado não só à cachaça, mas a qualquer bebida destilada. A pesquisa teve início em 2023 e já resultou em dois artigos publicados na revista científica Food Chemistry, uma das mais respeitadas no campo da química e bioquímica de alimentos.

Além do impacto acadêmico, o estudo desperta interesse prático: o equipamento pode ser utilizado por laboratórios e também por órgãos de fiscalização sanitária, ajudando a identificar rapidamente produtos adulterados que colocam em risco a saúde dos consumidores.

Os pesquisadores agora buscam meios de produzir o sistema em larga escala.

E as inovações não param por aí. O grupo da UEPB também está desenvolvendo um “canudo inteligente”, impregnado com uma substância química que muda de cor ao entrar em contato com o metanol.

“Queremos que o próprio consumidor tenha um instrumento de segurança. Se a bebida estiver contaminada, o canudo indicará instantaneamente o perigo”, explicou um dos coordenadores da pesquisa ao Jornal Nacional.

A descoberta reforça o papel de Campina Grande como polo de inovação científica do Nordeste e projeta a UEPB entre as universidades brasileiras que produzem soluções com potencial direto de impacto social e econômico.

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