Em entrevista publicada neste sábado (29) pela Folha de S.Paulo, o ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que uma eventual prisão representaria “o fim” de sua vida. “Estou com 70 anos”, declarou, em tom de desabafo, ao comentar o avanço das investigações que envolvem seu nome.
A declaração, que em um primeiro momento soa apenas como um lamento, acendeu o sinal vermelho entre ministros do Supremo Tribunal Federal. Em conversas reservadas, magistrados admitem que a possibilidade de fuga do ex-presidente está no radar — e não é pequena. A avaliação nos bastidores é de que, diante de um eventual mandado de prisão, Bolsonaro poderia tentar deixar o país por rotas alternativas, mesmo sem o passaporte, que está retido por ordem judicial.
A hipótese mais mencionada é a travessia da fronteira até a Argentina, país vizinho governado por seu aliado Javier Milei. De lá, o plano seria alcançar os Estados Unidos. O maior obstáculo seria justamente a entrada nos EUA sem documento válido. No entanto, a presença de Eduardo Bolsonaro — filho do ex-presidente, que renunciou estrategicamente ao mandato de deputado e se mudou para os Estados Unidos — é vista como peça-chave nesse possível tabuleiro.
Aliado de Donald Trump e com trânsito livre entre republicanos conservadores, Eduardo poderia tentar interceder diretamente junto ao presidente americano para que fosse concedida uma autorização especial de entrada ao pai. Trata-se de um caminho considerado “quase impossível” por diplomatas, mas não inteiramente descartado.
O temor da cúpula do Judiciário é que, acuado pelas investigações e sentindo-se encurralado, Bolsonaro busque a mesma saída usada por outros líderes de extrema direita pelo mundo: o exílio político. “A prisão é o fim da minha carreira política”, disse ele. Para alguns, a frase pode ser um aviso. Para outros, um prenúncio.