O Senado Federal impôs, nesta quarta-feira (29), uma derrota de alto impacto ao Palácio do Planalto ao rejeitar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. O placar de 42 votos contrários contra 34 favoráveis não apenas barrou o nome escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como também rompeu uma tradição de mais de um século de aprovações praticamente automáticas para a Corte.
O resultado expõe um cenário político mais adverso do que o governo vinha sinalizando. Mesmo após avançar na Comissão de Constituição e Justiça, onde obteve maioria, Messias não conseguiu sustentar apoio suficiente no plenário. A articulação contrária reuniu forças da oposição e encontrou eco em setores independentes, sob influência de lideranças como Flávio Bolsonaro e com resistência atribuída ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
A derrota ganha contornos ainda mais relevantes pelo seu peso histórico. Desde o fim do século XIX, indicações ao Supremo vinham sendo aprovadas sem sobressaltos. O último episódio semelhante remonta a 1894, no governo Floriano Peixoto, quando uma sequência de nomes foi rejeitada pelo Senado. De lá para cá, consolidou-se a prática de validação das escolhas presidenciais, agora quebrada de forma contundente.
Para ser aprovado, o indicado precisava de 41 votos, número que ficou fora de alcance mesmo com o empenho do governo. A comparação com indicações recentes reforça o revés: Flávio Dino foi aprovado com 47 votos, enquanto Cristiano Zanin teve apoio ainda mais amplo, com 58.
Durante a sabatina, Messias tentou construir uma imagem de equilíbrio institucional. Defendeu mudanças no funcionamento do Supremo, criticou decisões monocráticas e se posicionou contra o aborto, buscando dialogar com setores conservadores. Ainda assim, o discurso não foi suficiente para reverter resistências políticas já consolidadas.
Agora, o governo se vê diante de um duplo desafio: recompor sua base no Senado e escolher um novo nome para a vaga aberta com a saída antecipada de Roberto Barroso. A próxima indicação tende a ocorrer em um ambiente mais tenso, com margem reduzida para erros e sob vigilância redobrada da oposição.
Mais do que uma simples rejeição, o episódio redefine o equilíbrio de forças em Brasília e sinaliza que, ao contrário do que se imaginava, o Senado está disposto a exercer seu poder de veto — inclusive contra o Supremo.
