Depois do constrangimento público provocado pelo episódio da GloboNews, que terminou em um pedido de desculpas considerado vexatório após erro na abordagem do caso Banco Master, a Globo decidiu apertar o cerco – e o recado veio com tom de ameaça.
Vazou um documento interno, enviado em fevereiro às mais de 120 afiliadas em todo o país, deixando claro que não vai tolerar qualquer tipo de comportamento político na programação local durante o período pré-eleitoral. A informação é do site TVPop.
Assinado pelo diretor de jornalismo, Ricardo Villela, o memorando estabelece uma política de tolerância zero e não deixa margem para dúvidas: emissoras que desrespeitarem as regras de imparcialidade podem ter seus contratos rompidos.
A medida prevê uma padronização nacional da cobertura e a criação de uma estrutura de monitoramento dedicada a fiscalizar o conteúdo das afiliadas. A ordem é identificar e barrar qualquer material que ultrapasse os limites editoriais definidos pela rede.
O documento também reforça o risco jurídico envolvido. Irregularidades podem resultar em multas pesadas, tanto para as afiliadas quanto para a própria Globo, conforme a legislação eleitoral.
O alerta foi interpretado como um endurecimento sem precedentes. E não é só discurso. A emissora já deu sinais concretos de que está disposta a agir: casos recentes como o da TV Gazeta, em Alagoas, e da TV Fronteira, em São Paulo, terminaram com o rompimento de contratos após uso indevido do espaço jornalístico para interesses políticos.
Afiliadas da Paraíba
Na Paraíba, as duas afiliadas da rede – a TV Cabo Branco, em João Pessoa, e a TV Paraíba, em Campina Grande – historicamente mantêm uma linha editorial marcada pela busca de equilíbrio. Ainda assim, o novo endurecimento não faz distinção: a regra é nacional e vale para todos.
Depois de um erro que abalou sua credibilidade em rede nacional, a Globo decidiu jogar pesado nos bastidores. E deixou claro: em ano pré-eleitoral, quem sair da linha pode simplesmente sair do ar.