João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Dependência inédita: Hugo Motta só respira com articulação de Davi Alcolumbre
04/09/2025 16:33
Redação ON Reprodução

O presidente da Câmara, Hugo Motta, vive dias de intensa pressão em Brasília. Travado pela pauta da anistia e sem conseguir avançar em outros temas, ele se encontra “entre a cruz e a espada”. Sua tábua de salvação atende pelo nome de Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que assumiu protagonismo nas negociações e hoje é visto como o único capaz de destravar o impasse.

O movimento revela uma situação peculiar no Congresso Nacional: quem deveria comandar a agenda da Câmara depende da articulação feita no Senado. Nos bastidores, deputados admitem que, sem a costura de Alcolumbre, Motta não consegue impor ritmo nem controle sobre as deliberações.

A batalha da anistia

O centro do embate é a discussão da anistia para investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro. Hugo Motta insiste que ainda não decidiu se pautará a matéria, prometendo ouvir o Colégio de Líderes. Porém, lideranças do Centrão já trabalham com a hipótese de que o projeto a prosperar seja o de Alcolumbre: não uma anistia ampla, mas a redução de penas, em acordo costurado junto ao Supremo Tribunal Federal.

Enquanto isso, a oposição pressiona por um texto mais abrangente. O líder do PL, Sóstenes Cavalcanti, circula um rascunho que prevê anistia para todos os que foram, são ou venham a ser investigados, com efeitos retroativos a 2019. A proposta alcançaria inclusive inquéritos como o das fake news, beneficiando nomes como Daniel Silveira e Eduardo Bolsonaro.

Governo em alerta

Do outro lado, Lula elevou o tom. Em Belo Horizonte, ao lançar o programa Vale Gás, pediu ao povo que “entre na batalha” contra a anistia. O Palácio do Planalto já prepara uma ofensiva de comunicação nas redes sociais, mobilizando a militância em defesa do discurso da soberania nacional. Mas a ordem é não misturar o debate com o julgamento no STF, para evitar reforçar a narrativa de vitimização bolsonarista.

Um jogo de forças

A leitura no Congresso é de que o Supremo declarará inconstitucional qualquer anistia ampla. Mesmo assim, a aposta dos parlamentares é que a saída venha do Senado — um texto intermediário, suficiente para aliviar a pressão sobre Hugo Motta e oferecer um gesto político à oposição.

No meio desse xadrez, a governabilidade de Lula se vê testada: a anistia virou símbolo das dificuldades do Planalto em controlar a agenda parlamentar e das tensões entre governo, Centrão e oposição em Brasília.

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