Decepcionado com Cícero, João Azevêdo troca a paz pela cobrança de lealdade
08/10/2025 05:34
Redação ON Reprodução

A 361 dias das eleições de 2026, o governador João Azevêdo (PSB) decidiu agir para conter o clima de incerteza que se espalhou em sua base política. Na noite desta terça-feira (7), ele se reuniu, na Granja Santana, com os vereadores do PSB de João Pessoa, em encontro convocado pelo secretário-geral do partido, Tibério Limeira, a seu pedido.

O gesto foi uma reação às reuniões promovidas no fim de semana pelo deputado Hugo Motta (Republicanos) — aliado do governador — que tentou reforçar o apoio do seu partido à chapa governista. As conversas, porém, acabaram gerando interpretações divergentes: alguns parlamentares saíram dizendo que teriam liberdade para apoiar quem quisessem, o que acendeu um sinal de alerta no Palácio da Redenção.

“Ninguém pode servir a dois senhores”

Diante de Jailma, Odon Bezerra, Edmilson Soares, Tiago Diniz, Zezinho do Botafogo e Júnior Pires — estes dois últimos secretários da gestão de Cícero Lucena —, o governador falou em tom de ruptura e foi direto ao ponto: não aceitará relação política simultânea com o Governo do Estado e a Prefeitura de João Pessoa.

João deu prazo para que os vereadores escolham o lado e reforçou o alinhamento considerado obrigatório: Lucas Ribeiro candidato ao governo, ele próprio e Nabor Wanderley ao Senado. “Quem optar por ficar na prefeitura com Cícero Lucena pode se despedir do Governo do Estado”, resumiu, autorizando inclusive que os vereadores confirmassem à imprensa que esse foi o teor de sua fala.

Sem mencionar explicitamente, João reproduziu o espírito da passagem bíblica de Mateus 6:24 — “ninguém pode servir a dois senhores” — para transmitir o recado de que não há espaço para duplicidade política.

Mágoas e decisão de agir

Na reunião, o governador também deixou transparecer mágoas em relação ao prefeito Cícero Lucena, seu ex-aliado. Lembrou o apoio que deu nas duas eleições municipais e citou as diversas ações do Governo do Estado em favor da capital, como a compra de insumos para a área da saúde.

João esperava “paz para poder ser senador”, mas percebeu que o tempo da diplomacia acabou. O governador decidiu colocar a fidelidade à prova — e, a menos de um ano da eleição, escolheu agir em vez de esperar.

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