Exatamente uma semana atrás, Cícero Lucena (PP) estava confinado em um bunker em Tel Aviv, tentando escapar dos bombardeios que marcaram a escalada do conflito entre Irã e Israel. Nesta quinta-feira (19), o prefeito de João Pessoa ressurge em um cenário completamente diferente: em Patos, Sertão da Paraíba, onde participa da inauguração da nova pista do aeroporto regional e entra no clima da abertura oficial do São João da cidade.
Do pânico à festa, do bunker ao palanque. Cícero foi um dos poucos políticos brasileiros ilhados em Israel que conseguiram retornar rapidamente ao país. E isso se deve, em grande parte, a uma articulação fora do comum: o empresário paraibano Roberto Santiago, amigo pessoal de Cícero desde os anos 1980, disponibilizou seu avião particular para resgatá-lo na Arábia Saudita, de onde o prefeito embarcou de volta ao Brasil. Um gesto de amizade rara, que merece ser lembrado — sobretudo porque outros políticos e empresários que estavam em situação semelhante não contaram com o mesmo tipo de apoio.
De volta à Paraíba, o prefeito tentou adotar um discurso moderado. Na entrevista coletiva que concedeu logo após retornar, evitou falar de política e desconversou quando questionado sobre a corrida pelo Governo do Estado em 2026. Mas a agenda desta quinta diz mais do que qualquer declaração: ao lado do governador João Azevêdo (PSB), do vice-governador Lucas Ribeiro (PP), do presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos), e do deputado federal Hugo Motta (Republicanos), Cícero se insere novamente no centro da movimentação política estadual — e justamente em um dos maiores palcos do ano eleitoral: o São João do Sertão.
A presença de tantas figuras estratégicas da base governista no mesmo evento reforça a leitura de que o grupo já articula os bastidores da sucessão estadual. E Cícero, que até dias atrás era símbolo de sobrevivência, agora volta a ser peça no tabuleiro da disputa.
A nova batalha, ao que tudo indica, será travada nas urnas.