O cenário da eleição presidencial começa a mudar de forma mais clara. Levantamento mais recente do Instituto Datafolha indica que o presidente Lula já não mantém a vantagem que o colocava em posição confortável para um eventual segundo turno.
Pela primeira vez, ele aparece numericamente atrás de um adversário direto: Flávio Bolsonaro surge com 46% das intenções de voto, contra 45% do petista. Trata-se de um empate técnico, dentro da margem de erro, mas que carrega um dado político relevante — o favoritismo isolado deixou de existir.
Quando o confronto envolve outros nomes da direita, como Ronaldo Caiado ou Romeu Zema, Lula ainda aparece à frente, com 45% contra 42%. Ainda assim, o quadro geral aponta para uma disputa mais apertada do que se imaginava meses atrás.
O avanço de Caiado, inclusive, chama atenção. Ele ganhou terreno em relação ao levantamento anterior e passa a disputar espaço no mesmo campo político de Flávio e Zema, reduzindo a possibilidade de uma alternativa centrista competitiva.
Considerando apenas os votos válidos, critério usado pela Justiça Eleitoral, Lula soma 45%, enquanto o conjunto dos adversários chega a 55%. O número reforça a leitura de que o segundo turno tende a ser decidido em um cenário de forte equilíbrio.
Apesar disso, o momento ainda exige cautela. A eleição segue distante, e o comportamento do eleitorado costuma mudar à medida que a campanha se intensifica. A tendência histórica é de redução dos índices de indecisos, brancos e nulos, o que pode alterar novamente o quadro.
O que já não parece mais sustentável é a ideia de uma disputa com favorito definido. O jogo, agora, está aberto.
