Datafolha adia pesquisa duas vezes e aumenta suspense. Relembre como era o cenário eleitoral em março/22
06/03/2026 20:02
Redação ON Reprodução

A expectativa política em Brasília e nos estados gira em torno de um número que ainda não apareceu. A nova pesquisa presidencial do instituto Datafolha, a primeira grande sondagem nacional sobre a corrida de 2026 realizada pelo instituto mais tradicional do país, virou um pequeno enigma político depois de ser adiada duas vezes em menos de 48 horas.

Inicialmente prevista para divulgação na quinta-feira, a pesquisa acabou transferida para sexta-feira. Agora, a previsão é que os números sejam conhecidos apenas no sábado. O levantamento foi encomendado pela Folha de S.Paulo, que tem a prerrogativa de definir o momento da publicação.

A sequência de adiamentos aumentou a curiosidade em torno dos resultados, sobretudo porque o levantamento é aguardado como um primeiro termômetro mais sólido da disputa presidencial.

Em meio ao suspense, surgiu em Brasília um vazamento que circula nos bastidores da política nacional. Segundo informações que começaram a se espalhar entre parlamentares e analistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda apareceria na liderança das intenções de voto, à frente do senador Flávio Bolsonaro.

A informação, contudo, não foi confirmada oficialmente e deve ser tratada como bastidor político até que os números sejam divulgados. Ainda assim, o fato de esse comentário ter se espalhado rapidamente mostra o tamanho da expectativa em torno da pesquisa.

Comparação inevitável com 2022

A curiosidade em torno do novo levantamento também reabre um exercício inevitável: comparar o cenário atual com o que acontecia no mesmo período da eleição anterior.

Em março de 2022, também segundo o Datafolha, Lula aparecia com uma vantagem bastante confortável sobre Jair Bolsonaro, então presidente da República e candidato à reeleição. Naquele momento, o petista tinha 43% das intenções de voto contra 26% do adversário.

A diferença de 17 pontos percentuais era quase equivalente à distância entre Bolsonaro e o terceiro colocado da disputa na época, o ex-juiz Sergio Moro, que registrava 8%.

Na simulação de segundo turno, o cenário parecia ainda mais definido: Lula aparecia com 55% contra 34% de Bolsonaro.

Mas a eleição mostrou que as campanhas são capazes de alterar completamente o ambiente político. No primeiro turno, Lula venceu com 48% dos votos contra 43% de Bolsonaro, uma diferença bem menor do que indicavam os levantamentos iniciais. No segundo turno, a vitória do petista foi ainda mais apertada: 51% contra 49%.

Um cenário mais competitivo

Quatro anos depois, o quadro que vem sendo desenhado por diferentes institutos indica uma disputa potencialmente mais equilibrada.

Pesquisas divulgadas entre fevereiro e março deste ano mostram Lula na frente, mas com margens mais apertadas diante do bolsonarismo, agora representado pelo senador Flávio Bolsonaro.

Levantamento do Real Time Big Data aponta Lula com 39% contra 32% de Flávio Bolsonaro. No Paraná Pesquisas, o placar aparece em 39,6% contra 35,3%. Já o AtlasIntel/Bloomberg registra 45,3% para Lula e 39,1% para o senador.

A pesquisa Genial/Quaest também mantém o presidente à frente, com 35% contra 29%.

Nas simulações de segundo turno, vários levantamentos apontam empate técnico entre os dois candidatos, evidenciando um ambiente eleitoral mais competitivo do que o observado no início da disputa de 2022.

Por isso, a nova rodada do Datafolha ganhou peso simbólico: além de inaugurar a série de pesquisas nacionais do instituto para 2026, ela pode ajudar a medir se o cenário atual confirma essa disputa mais apertada ou se os números indicam uma configuração diferente.

Por enquanto, o que existe é apenas expectativa. O suspense criado pelos adiamentos acabou transformando a divulgação da pesquisa em um pequeno evento político. E, em um país onde pesquisas eleitorais costumam influenciar estratégias, alianças e discursos, o resultado deste sábado promete ser analisado linha por linha.

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