Da série “Esqueleto no Armário”: Justiça reabre caso antigo envolvendo Veneziano e Vitalzinho
03/06/2026 05:55
Redação ON Reprodução

Faltando cerca de 120 dias para a eleição, a política paraibana começa a viver uma fase conhecida por qualquer candidato experiente: a temporada dos “Esqueletos no Armário”.

São processos antigos, investigações esquecidas, denúncias que pareciam superadas e episódios do passado que voltam a ganhar visibilidade justamente quando o eleitor começa a prestar mais atenção na disputa.

O personagem da vez é o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), presidente estadual do partido e candidato natural à reeleição. Nesta semana, a 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Paraíba decidiu anular a sentença que havia reconhecido a prescrição de uma ação movida pelo Ministério Público contra Veneziano, o presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo, e outros investigados.

O processo trata de supostas irregularidades em contratos de pavimentação e drenagem realizados durante a gestão de Veneziano na Prefeitura de Campina Grande. Por unanimidade, os desembargadores determinaram que a ação volte a tramitar na Justiça de primeiro grau.

É importante destacar que a decisão não representa condenação nem julgamento do mérito das acusações. O que o tribunal decidiu foi que o caso não pode ser encerrado por prescrição neste momento. Ainda assim, politicamente, o efeito é inevitável: um tema que estava praticamente fora do radar retorna ao debate público em pleno período pré-eleitoral.

Outros “esqueletos”

E esse não é um fenômeno novo. Em abril, outro nome de peso da política paraibana viu um velho episódio reaparecer. O ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, precisou enfrentar novamente as discussões em torno da chamada Operação Confraria e das acusações relacionadas ao Viaduto Sonrisal. A diferença é que, naquele caso, o desfecho foi amplamente favorável ao ex-prefeito. O Tribunal Regional Federal da 5ª Região julgou improcedente a ação de improbidade, afastando a acusação de superfaturamento da obra.

O episódio acabou funcionando como uma espécie de vacina política para Cícero. Um esqueleto que saiu do armário apenas para ser definitivamente enterrado.

Agora é Veneziano quem se vê diante de um capítulo do passado que volta a frequentar as manchetes. E dificilmente será o último.

A experiência mostra que, quanto mais a eleição se aproxima, mais os arquivos são reabertos, os processos são revisitados e as antigas polêmicas voltam a circular. Algumas terminam fortalecendo os candidatos. Outras produzem desgaste.

A quatro meses da votação, a única certeza é que o esqueleto de Veneziano foi apenas um dos primeiros a reaparecer. Até outubro, outros armários da política paraibana ainda deverão ser abertos.

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