Da Papudinha, Bolsonaro articula 2026 e pode selar nome ao Senado na Paraíba
02/02/2026 05:19
Redação ON Reprodução

A autorização para que o deputado federal Cabo Gilberto visite Jair Bolsonaro na Papudinha, no próximo dia 7, é tratada no PL como mais do que um gesto de solidariedade política. Nos bastidores, o encontro é visto como parte de uma engrenagem maior, que envolve a articulação da campanha presidencial de 2026 diretamente de dentro da prisão e seus reflexos nos estados, entre eles a Paraíba.

No cenário paraibano, a expectativa gira em torno da montagem da chapa bolsonarista ao Senado, comandada por Efraim Filho. Uma das vagas já é dada como certa para o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga. A segunda cadeira, ainda em aberto, pode ser oferecida justamente a Cabo Gilberto, caso Bolsonaro sinalize apoio direto à candidatura durante a visita.

Bunker de decisões

Essa movimentação local se conecta a um quadro mais amplo. Mesmo preso, Bolsonaro segue influenciando decisões estratégicas do campo bolsonarista. Antes de ser transferido para a Papudinha, ainda sob custódia da Polícia Federal no Distrito Federal, ele já havia chancelado o nome do filho, Flávio Bolsonaro, como candidato à Presidência da República em 2026, orientação que passou a nortear aliados em diferentes estados.

A agenda de visitas ao ex-presidente se tornou disputada. Deputados e senadores de várias regiões têm buscado autorização do Supremo Tribunal Federal para encontros, numa tentativa de alinhar discursos, prioridades legislativas e projetos eleitorais. Nem todos conseguem acesso: pedidos considerados estratégicos demais já foram barrados pela Justiça.

O movimento remete a um precedente recente da política brasileira. Em 2018, o então ex-presidente Lula, preso em Curitiba, conduziu de dentro da cadeia o processo de reorganização do PT, definindo Fernando Haddad como candidato à Presidência após negociações com a cúpula partidária. A prisão, naquele momento, não interrompeu o comando político.

Na Paraíba, a leitura é semelhante. Caso Bolsonaro endosse o nome de Cabo Gilberto para o Senado, a decisão tende a acelerar a consolidação da chapa bolsonarista no estado e reduzir o espaço para disputas internas. Mais do que simbólica, a visita pode funcionar como um gesto prático de comando, reforçando a tese de que a articulação de 2026 já está em curso — mesmo a partir de uma cela.

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