A turbulência que sacudiu Brasília nesta quarta-feira (8) promete ecoar com força também na política paraibana. A decisão do Progressistas (PP) e do União Brasil de afastar os ministros André Fufuca (Esporte) e Celso Sabino (Turismo) por desobediência à orientação partidária de deixar o governo Lula cria uma crise que ultrapassa as fronteiras da Esplanada dos Ministérios. E tem reflexos diretos no tabuleiro local, especialmente na aliança que envolve o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) e o governador João Azevêdo (PSB).
O caso é emblemático: enquanto o Progressistas endurece contra Fufuca por ele ter decidido permanecer no governo federal, na Paraíba o partido abriga o principal nome da base governista — Lucas Ribeiro — que, por decisão do próprio governador João Azevêdo, apoiará a reeleição de Lula em 2026. Ou seja, a mesma fidelidade partidária que é cobrada em Brasília poderá se transformar, aqui, em uma bomba-relógio política.
A Executiva Nacional do PP comunicou o afastamento imediato de André Fufuca de todas as funções partidárias, inclusive da vice-presidência nacional. O gesto, visto como punitivo, foi interpretado como um recado direto a todos os filiados que ainda tentam conciliar o partido com o governo petista. Em paralelo, o União Brasil abriu processo de expulsão contra Celso Sabino, acusado de “infidelidade partidária” por insistir em permanecer no Ministério do Turismo.
Na prática, o rompimento institucional entre as duas legendas da federação (PP e União) com o governo Lula coloca o senador Efraim Filho (União Brasil) em vantagem política na Paraíba. Efraim, que tem se mantido fiel à linha de oposição, tende a fortalecer seu controle sobre a federação no Estado. Já Lucas Ribeiro, que construiu sua trajetória como aliado de João Azevêdo e defensor do diálogo com o Planalto, vê-se empurrado para um impasse: ou segue o caminho do governador e reforça o campo lulista, ou se submete à rigidez partidária imposta pela cúpula do PP.
Tudo indica que o nó nacional entre Lula e os partidos do Centrão começa a apertar o pescoço dos políticos locais, que terão de escolher entre a coerência ideológica e a sobrevivência eleitoral. O que hoje é uma crise entre Brasília e os ministérios pode, em breve, virar uma crise dentro do próprio Palácio da Redenção.
Se André Fufuca e Celso Sabino estão prestes a perder seus partidos por apoiar Lula, quanto tempo levará até que Lucas Ribeiro enfrente o mesmo dilema na Paraíba?