João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Coronel Marcelo Câmara confirma que Bolsonaro ordenou monitoramento de Alexandre de Moraes
13/08/2025 15:27
Redação ON Reprodução

O coronel Marcelo Câmara, ex-assessor de Jair Bolsonaro, afirmou nesta quarta-feira (13) que o próprio ex-presidente ordenou que ele realizasse o monitoramento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita durante acareação com o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, no STF. O procedimento, conduzido por Moraes, integra a ação penal que investiga o envolvimento de Câmara e outros cinco réus em uma tentativa de golpe de Estado.

A acareação, solicitada pela defesa de Marcelo Câmara, teve início por volta das 11h40 e terminou cerca de 50 minutos depois. O objetivo era esclarecer contradições entre os depoimentos de Cid e Câmara, ambos investigados no contexto dos atos que buscavam a ruptura da ordem democrática em 2022.

Marcelo Câmara é acusado de integrar o chamado “núcleo de gerenciamento de ações” da tentativa de golpe, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR). O grupo teria coordenado operações que incluíram o uso da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para dificultar o voto de eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a elaboração de minutas de decreto golpista e até o planejamento de assassinatos de autoridades.

A PGR aponta que Câmara, junto de outros seis réus — entre eles o ex-diretor-geral da PRF Silvinei Vasques e o ex-assessor internacional Filipe Martins —, desempenhou papel estratégico na coordenação das ações.

Entre os pontos a esclarecer estavam: o suposto acesso e manipulação de minutas golpistas por Câmara no Palácio da Alvorada; o monitoramento de Moraes e da chapa Lula-Alckmin após as eleições; e o conhecimento sobre o motivo desse monitoramento, além de possíveis ligações com o militante Rafael Martins de Oliveira, conhecido como “kid preto”.

Durante o ato, Marcelo Câmara reafirmou que a ordem para monitorar Moraes partiu diretamente de Bolsonaro, alegando que se tratava de “verificação de agenda” e negando ligação com qualquer plano de violência. Mauro Cid confirmou a versão, dizendo que Bolsonaro queria saber se Moraes havia se encontrado com o então vice-presidente Hamilton Mourão.

Preso preventivamente, Câmara compareceu presencialmente ao STF, usando tornozeleira eletrônica, e não pôde ter contato com ninguém além de seu advogado.

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