A Coreia do Norte divulgou nesta quinta-feira, 25, imagens da construção de um submarino movido a energia nuclear, com registros da mídia estatal indicando que o casco da embarcação está praticamente concluído. Ao mesmo tempo, o líder Kim Jong-Un criticou duramente a tentativa da Coreia do Sul de desenvolver tecnologia semelhante, elevando o tom da disputa militar na região.
De acordo com a agência oficial de notícias do regime, Kim visitou um estaleiro para inspecionar a construção do submarino, descrito como uma embarcação nuclear de 8,7 mil toneladas. O projeto foi apresentado como um passo crucial na modernização da marinha norte-coreana e no fortalecimento do seu poder nuclear. Autoridades do país afirmaram que o submarino será equipado com armas nucleares e o classificaram como um submarino estratégico de ataque nuclear.
Durante a visita, Kim chamou os planos sul-coreanos de obter um submarino nuclear de ato ofensivo, afirmando que a iniciativa viola a segurança e a soberania marítima do Norte. Segundo ele, o movimento de Seul conta com apoio dos Estados Unidos, o que, na avaliação do regime, reforça a necessidade de acelerar a nuclearização das forças navais norte-coreanas. Para Kim, a conclusão do submarino representará uma mudança histórica na capacidade de dissuasão do país contra ameaças externas.
As imagens divulgadas mostram Kim inspecionando uma grande embarcação de cor vinho, coberta por tinta anticorrosiva, dentro de um galpão de montagem. Também aparecem altos funcionários do regime e sua filha, que o acompanhou na visita. Foi a primeira vez, desde março, que a mídia estatal exibiu imagens mais amplas do submarino, até então restritas às partes inferiores da estrutura.
Não há confirmação oficial sobre o estágio final da obra, mas especialistas observam que submarinos costumam ser montados de dentro para fora. A exibição de um casco aparentemente completo sugere que componentes essenciais, como o sistema de propulsão e possivelmente o reator, já estejam instalados. A avaliação é que a embarcação pode estar próxima de ser lançada à água para testes no mar.
O submarino nuclear integra a lista de armamentos estratégicos anunciada por Kim em 2021, que inclui mísseis balísticos intercontinentais de combustível sólido, armas hipersônicas, satélites espiões e mísseis com ogivas múltiplas. Desde então, a Coreia do Norte intensificou testes militares e apresentou recentemente um novo contratorpedeiro naval, tratado pelo regime como avanço na capacidade de ataque e alcance de suas forças nucleares.
Caso consiga colocar em operação um submarino capaz de permanecer oculto por longos períodos e lançar mísseis debaixo d’água, a Coreia do Norte elevará significativamente o nível de ameaça na região. Esse tipo de lançamento é difícil de detectar com antecedência, o que preocupa países vizinhos. Ainda assim, analistas questionam se um país submetido a severas sanções e com economia fragilizada tem condições plenas de dominar toda a tecnologia necessária.
Parte dos especialistas associa o avanço ao recente alinhamento entre Pyongyang e Moscou, incluindo o envio de soldados e equipamentos norte-coreanos para apoiar a guerra da Rússia na Ucrânia. Em troca, o regime de Kim pode ter recebido assistência tecnológica. Embora haja suspeitas de transferência de um reator russo, a avaliação predominante é de que a Coreia do Norte tenha desenvolvido seu próprio projeto, possivelmente com apoio técnico externo.
Do lado sul-coreano, a busca por um submarino nuclear também ganhou força política. O governo de Seul pediu apoio dos Estados Unidos para viabilizar o projeto e reafirmou o compromisso de aumentar os gastos com defesa. Washington sinalizou abertura para compartilhar tecnologia sensível, mas ainda não há definição sobre prazos, local de construção nem sobre como a Coreia do Sul obteria combustível nuclear e tecnologia de reatores.

